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02/05/2011

Mesmo com todo seu capital em ações é possível ter uma carteira diversificada

Embora pareça muito arriscado para alguns, é possível manter 100% dos investimentos em bolsa e mesmo assim ter uma carteira com certo grau de diversificação e proteção ao risco. Segundo especialistas, o mercado apresenta algumas opções de estratégias que limitam as perdas e aumentam a segurança do investidor que pretende aplicar todo seu dinheiro na renda variável.

Mas, é preciso cuidado. Segundo o sócio da Conexão BR Assessoria de Investimentos, Erich Beletti, quem opta por manter a totalidade dos investimentos na bolsa deve ter conhecimento do mercado no qual estará operando. Caso contrário, os riscos podem ser bem maiores e, neste caso, as perdas não seriam poucas.

Sugerindo que o investidor se utilize dos pontos de entrada nas ações sinalizados pela análise técnica, Beletti traça como algumas estratégias para diversificar investimentos e limitar perdas o lançamento coberto de opções - comprar uma ação e lançar uma opção, segurando a ação em carteira - e também as operações de long & short.

“Eu acho que a opção do operar no Long & Short e operar com o lançamento [coberto] de opções são bastante seguros, de risco baixo. Ai, se quiser 'temperar' com uma operação de compra, ou ainda operar vendido em ações, quando você opera ganhando na baixa, eu não vejo problema algum com isso”, avaliou.

Antes de se arriscar, conheça o mercado
Segundo a economista da Lerosa Investimentos, Alexandra Almawi, o investidor que pretende manter 100% dos investimentos em bolsa deve conhecer o mercado, estudá-lo. “A questão do lançamento coberto, da estratégia Long & Short e das ações defensivas, isso tudo na verdade te dá uma certa segurança, mas não garante que você terá retornos certos”, disse. “O investidor tem que entender a dinâmica das operações, o risco e principalmente o custo operacional”, completou.

Beletti, por sua vez, conta que quem deseja ter 100% dos investimentos em bolsa deve ter disciplina. “Acho que o maior problema que as pessoas têm quando elas entram na bolsa é que elas entram sem conhecimento e sem disciplina. Vamos supor que você comprou um papel por R$ 10 e estabeleceu que quando ele atingisse R$ 9,70 você sairia. Por quê? Porque a partir daí a tendência é de que ele continue em um movimento de baixa. Mas, se a pessoa não entende do mercado, ela resolve segurar. O problema é você não sair nos R$ 9,70 e deixar o papel ir para R$ 8,50 ou R$ 8,00. O prejuízo de 3% é fácil de administrar, agora 15% ou 20% vira um problema", argumentou.

O especialista reforça a tese de que, se tiver conhecimento do mercado, o investidor pode sim manter uma carteira 100% na renda variável. "Então, se você tem disciplina, não tem problema, você pode operar tranquilo no mercado, não precisa seguir esta pseudorecomendação, aliás esta recomendação de pseudoanalistas de que você não pode colocar muito na bolsa. Se você sabe o que está fazendo, eu não vejo problema nenhum.”

Long & Short
A estratégia Long & Short é comum no mercado de ações. Ela representa uma combinação de posições compradas e vendidas, em busca de uma performance relativa. Uma posição Long (comprada) nada mais é do que o investidor deter um determinado ativo – como o próprio nome sugere, está “comprado" no ativo -, com a expectativa de que este venha a apreciar-se.

Por sua vez, uma posição vendida, também conhecida como short, é o oposto: o investidor irá vender um ativo que não está em sua carteira. Logo, quando este tipo de estratégia é realizado, é necessário tomar emprestado o papel. Em uma posição vendida, aposta-se que os papéis sofrerão depreciação e, caso isto realmente ocorra, o investidor irá auferir lucro com a operação.

O que a estratégia Long & Short busca é a performance relativa entre ambos - posição comprada e vendida. Ou seja, o lucro desta estratégia vem do spread entre as ações compradas e as ações vendidas.

No entanto, é bom lembrar que, caso as ações compradas caiam enquanto as vendidas subam, haverá um prejuízo elevado. Portanto, como em qualquer operação, o investidor deve ter certa dose de cautela e um ponto de saída da estratégia traçado.

Lançamento Coberto
Outra estratégia apontada por Beletti como uma boa opção para o investidor arrojado que pretende manter 100% dos seus investimentos em bolsa é o lançamento coberto de opções. Apontada como uma saída para prevenir possíveis perdas neste mercado, ou como um hedge com opções, a venda coberta de opções tem se tornado cada vez mais comum entre os investidores.

Em suma, você tem as ações, acha que o mercado pode cair, mas não quer se desfazer de seus papéis, então você lança calls na mesma proporção de suas ações, sem se desfazer das ações. Nesse tipo de operação, o investidor que possui um lote de opções de compra tem em sua carteira o correspondente lote negociado em ações que servirão para "cobrir" as eventuais obrigações do investidor que lançou as opções, caso estas sejam exercidas.

Suponha que o investidor compre dez lotes de ações VALE5, que equivalem a mil papéis, por R$ 47 cada (ou seja, a operação de compra das ações envolve R$ 47 mil). Simultaneamente, o investidor lança mil calls VALEL45, e recebe R$ 2,50 por papel (R$ 2.500 no total).

Caso o mercado caia e a ação da Vale venha a R$ 45,00, a perda do investidor fica travada. Sem o lançamento das calls, o prejuízo seria de R$ 2 por ação, ou R$ 2.000 considerando que a compra feita foi de dez lotes-padrão. Contudo, com o lançamento das opções, o investidor perdeu R$ 2 por ação (diferença entre o preço pago no mercado à vista, R$ 47, e o preço que o comprador da call pagará por cada ação, R$ 45), mas ganhou R$ 2,50 por cada call vendida no mercado - ou seja, anulou sua perda com o prêmio recebido pelas opções de compra lançadas e ainda saiu da operação com resultado positivo em R$ 500.

Também é possível que o investidor queira limitar os ganhos de sua operação lançando opções de venda na mesma quantidade das ações mantidas em carteira. Sem contar que, caso as puts (opções de venda) não sejam exercidas, o investidor embolsa o prêmio recebido pela venda destes papéis.

“Hoje, quem tem mais liquidez são OGX (OGXP3), BM&F Bovespa (BVMF3), Vale (VALE3, VALE5) e Petrobras (PETR3, PETR4). Compra a ação de uma dessas empresas e lança uma opção que te dê uma rentabilidade reduzida, de 1,5%, às vezes até chega a 2% no mês, mas que vai te proteger de uma eventual baixa de 10%, 12% até 20% da ação. A opção serve para você se proteger, através do lançamento coberto”, argumentou Beletti.

De acordo com o especialista, o problema é que as pessoas entram no mercado de opções na maior parte dos casos para especular. "Provavelmente 10 em cada 10 pessoas que ficarem fazendo especulações vão se dar mal. No lançamento coberto é óbvio que pode dar errado, mas a chance é muito pequena porque a sua proteção é muito grande. Talvez se o papel cair 10% ou 15% você ainda vai estar no zero a zero. Não vai ter prejuízo. Então, fazendo isso em meses tranquilos, que não tenham nenhuma turbulência ou nenhuma crise interna grande, vai ter lucro”.

Ações defensivas
Outra maneira comum de se reduzir os riscos na renda variável, principalmente no caso de ter 100% dos investimentos aplicados nesta modalidade, é a aposta em ações defensivas. Seguindo as regras do mercado de capitais, as companhias listadas em bolsa devem ter distribuição mínima de 25% dos lucros aos acionistas. Muitas delas acabam praticando uma proporção muito maior que esta, chegando até a 100% dos lucros em determinados casos.

O setor de energia é conhecido por essa característica defensiva. Isso porque as empresas deste segmento não têm necessidade de fazer grandes investimentos constantemente. A despesa pesada que elas possuem é na construção de novas centrais de energia, por exemplo, ou outras instalações maiores, o que não costuma ser frequente, visto que este é um setor bastante consolidado. Por esse motivo, é mais vantajoso para a própria companhia remunerar seus acionistas ao invés de permanecer com o dinheiro parado em caixa.

No entanto, Beletti alerta para o fato de que o investidor deve conhecer bem a empresa e o setor no qual ela está inserida, além de observar a performance recente e histórica das ações, antes de investir. “Não adianta nada você pegar uma ação que paga bons dividendos e ela estar em uma trajetória de baixa. Os dividendos não vão compensar o prejuízo que você vai estar tendo com o valor da ação”, disse.

O especialista explica que “de fato você tem que escolher um papel que 'graficamente' esteja bom, que tenha uma tendência para cima, e este papel você pode até objetivar receber dividendos. Mas, não pode entrar em qualquer papel que é bom pagador de dividendos sem dar a atenção devida à situação gráfica dele, porque às vezes você compra um papel que está no topo, ai o papel cai 30% no ano e pagou só 10% de dividendos, você não salvou nada e continua tendo um grande prejuízo”.

Fonte: InfoMoney

09/02/2011

Venda a descoberto de ações - Ganhando também na queda

O mercado de ações permite que você ganhe quando os preços sobem e também quando os preços descem, permitindo que você ganhe dinheiro independente do lado que o mercado está se movendo.
Para se beneficiar de uma queda, é quase tão fácil quanto comprar uma ação, basta você fazer a operação na ordem inversa, ou seja, primeiro você vende a ação e depois você compra.
Essa operação é chamada de venda a descoberto ou de short. Para fazer o short, você precisa alugar de alguém as ações que deseja vender, pois ao vender, você precisa entregar o que vendeu ao comprador, e como você não possui as ações, precisa alugá-las.

Para alugar as ações é muito simples, você ou seu corretor irão verificar no BTC (banco de títulos CBLC) se existem ações disponíveis para locação e qual o valor da taxa do aluguel ao ano, e tendo as ações desejadas com uma taxa que te satisfaça, você solicita o aluguel. As ações mais liquidas da bovespa, possuem grande disponibilidade para locação e também possuem taxas muito baixas, por exemplo Petrobras e Vale possuem taxas menores que 1,0% ao ano, isso mesmo, apenas 1% ao ano. Já algumas empresas, possuem taxas maiores, que podem chegar aos 10% ao ano e em alguns casos, até passar desse patamar. Em épocas de crise, pode acontecer das taxas subirem consideravelmente, chegando a passar dos 20% ao ano, mas esses altos valores são encontrados apenas em alguns papéis, sendo que as maiores blue chips mantem as taxas bem baixas, na casa de 1% ao ano. Um exemplo que ilustra bem o caso é a Redecard, que possui em média uma taxa de 6% ao ano, e na época do auge da crise do subprime chegou a ter taxas de 24% ao ano. Um ponto importante, é que o valor que será devido de aluguel é proporcional ao tempo que ficou com as ações, então, no caso de um aluguel que custe 1,2% ao ano, caso tenha ficado 1 mês, pagará apenas 0,1%. Alé, desse valor existe uma taxa de registro do BTC, que pelo que me lembro e tenho pago ultimamente custa 5,00 reais.

Após ter alugado as ações, basta fazer a venda, como se você as tivesse em carteira, com isso, as ações que você alugou serão entreges ao comprador, e para evitar problemas e garantir o bom funcionamento do mercado, a CBLC exige uma garantia do vendedor, que normalmente fica na casa dos 120% do valor vendido, dependendo da ação que vender, uma blue chip exige menos margem, e um mico exige uma margem maior, sempre consulte a margem exigida antes de montar a operação. Então, se você vender 200 ações de Vale a 50,00 reais, terá vendido ao todo 10 mil reais, e terá que deixar como margem de garantia o valor de 12 mil reais. Essa margem é ajustada diariamente, então, se o preço das ações da Vale cair, a CBLC devolverá uma parte da margem, mas se o preço das ações subirem, a CBLC irá exigir maior margem, e caso você não tenha como cobrir a margem necessária, sua operação poderá ser encerrada, com a recompra das ações a preço de mercado para devolução ao doador (doador é a pessoa que alugou as ações para você). Um detalhe interessante, você precisa deixar de margem 120%, porém, no nosso exemplo acima, você não precisa disponibilizar 12 mil reais seus para montar a operação, e sim, apenas a diferença entre o valor arrecadado com a venda e o valor solicitado de margem, ou seja, ao vender as ações da Vale você recebeu 10 mil reais, então, você só precisa colocar 2 mil reais como margem, totalizando os 12 mil reais. Perceba o potencial de alavancagem da operação, pois você só preciso de 20% do financeiro da operação para fazê-la. Outro detalhe interessantíssimo, é que não apenas dinheiro líquido pode ser dado como garantia, mas CDB's feitos pela corretora que possui conta e alguns outros investimentos em renda fixa, o que te permite manter o dinheiro aplicado no CDB, rendendo juros, enquanto servem de garantia para seu short. Outras ações que você possui em carteira também servem de margem, porém as ações possuem um deságio em seu valor na hora de serem utilizadas como margem, as grandes empresas normalmente garantem entre 80% e 85% do seu valor com o margem, enquanto os micos vão garantir menos, portanto se você tem 10 reais em ações do Itaú, elas servirão para cobrir até 8 mil reais de margem. Única ressalva, é que enquanto uma ação, CDB ou aplicação estiverem em garantia, não poderão ser vendidos ou resgatados.

Após a venda feita, e a garantia ser disponibilizada, o próximo passo é fazer a compra das ações quando você desejar e devolvê-las ao doador, e ter sua garantia liberada. Ao finalizar a operação, caso tenha lucro, ou seja, comprado por valor menor que o vendido, você ficará com essa diferença, e caso tenha prejuízo, deverá pagar a diferença, exatamente como funciona quando você compra primeiro e depois vende.

Quando usar a venda a descoberto? Quando você identificar que o preço do papel irá cair. Na minha opinião, o short é mais utilizado pelos analistas técnicos do que pelos fundamentalistas, pelo perfil de operação. Eu sigo a escola da AT, então vou focar um pouco mais nela, pois é o assunto que tenho melhor domínio. Se a AT te indica que o papel vai subir e você usa essa indicação para fazer uma compra, e depois usa a indicação para encerrar a operação pois a alta terminou, porque não fazer o short quando a AT indicar que o preço irá cair e fazer a compra quando indicar que o preço parou de cair?

Eu vejo o short como uma excelente forma de ganhos no mercado, permitindo que se faça mais operações e em qualquer época de movimentação do mercado, seja para cima ou para baixo.
Lembrem-se do grande ditado que diz: Os touros sobem de escada e os ursos se jogam pela janela.
Resumindo, o pânico na queda é muito maior que a euforia na alta, então as quedas propciam excelente opertunidade de ganho em curto espaço de tempo. Quem não se lembra da crise do subprime? Com diversas ações caindo 15% em um dia.

Outro ponto importante, não são todas as corretoras que permitem que seja feita a venda a descoberto, e das que permitem, a maioria não deixa você fazer pelo Home Broker, exigindo o uso da mesa de operações. Verifique como funciona a operação na sua corretora. Aproveito o tema para dizer que é importante uma corretora que tenha agilidade e pouca burocracia para montagem dessa operação, pois você precisa de velocidade para consultar as taxas do BTC e fazer a operação no momento desejado, sem ficar perdendo tempo com burocracia da corretora.

Pra finalizar, para os que gostam de fazer day-trades, é possível fazer o short sem necessidade de alugar as ações, desde que você faça a venda e a compra no mesmo dia, ou seja, você não precisa se preocupar com taxa de BTC, basta apenas fazer a venda, ter a garantia exigida como margem, e depois comprar antes do encerramento do pregão. Quer mais um detalhe interessante? Você pode abrir o short de manhã, e caso você no meio da operação decida carregar a venda para o dia seguinte, deixando de ser um day-trade, você solicita o aluguel das ações antes do final do pregão, e com isso, pode carregar a venda. Mais uma vez, não são todas corretoras que permitem essa operação, se a sua não permite, procure uma que permita e aproveite melhor a volatilidade do mercado.

Espero que tenham gostado, e em breve farei um posto sobre como montar um Long/Short.