03/11/2011

Bancos lançam cartões pré-pagos para quem não tem conta corrente

Aiana Freitas

Especial para o UOL Economia, em São Paulo

Um novo tipo de cartão pode ser tornar uma opção para quem não tem conta em banco ou simplesmente planeja controlar melhor seus gastos.

Os cartões pré-pagos passaram a ser oferecidos no Brasil recentemente pelas maiores administradoras do país.

Esses cartões são classificados como "multiuso" ou de "uso genérico". Na prática, eles funcionam como cartões de débito comuns, podendo ser usados para a realização de compras e de saques nos caixas eletrônicos.

Alguns permitem também a realização de compras pela internet.

CONFIRA AS CARACTERÍSTICAS DOS CARTÕES PRÉ-PAGOS

PRODUTO

PanAmericano Mastercard

Ourocard Visa (Banco do Brasil)

Mundo Livre Visa (Banco Rendimento)

TARIFA DE EMISSÃO

R$ 15

Isento até fim de novembro; depois,
R$ 15

R$ 10

MANUTENÇÃO

Grátis

Grátis

R$ 3 (mensalidade)

LIMITE DE RECARGA

R$ 3.000 por vez ou
R$ 6.000 por mês

R$ 3.000

R$ 2.000 por mês;
R$ 10.000 por ano

TARIFA DE RECARGA

R$ 2

R$ 5

R$ 0,90

TARIFA DE SAQUE

R$ 3,50

Isento

R$ 7

Para ter acesso a esses produtos, o consumidor precisa, geralmente, pagar uma tarifa pela emissão do cartão e pela primeira carga.

O uso para pagamento de compras não é tarifado, mas as recargas costumam ser cobradas, assim como os saques.

Público-alvo é população que não tem conta em banco

O objetivo de bancos e administradoras é atingir, sobretudo, a população que não tem conta em banco, estimada em mais de 50 milhões de brasileiros pelo Banco Central.

Um dos diferenciais é que, para adquirir os cartões, o consumidor não precisa passar por uma avaliação da sua situação de crédito. Mesmo quem está com o "nome sujo" pode, assim, ter acesso a eles.

"O mercado de cartões pré-pagos é extremamente evoluído em países como os Estados Unidos", diz o diretor-executivo de produtos pré-pagos para a América Latina e Caribe da Visa, José Coronel.

A empresa, que lançou cartões pré-pagos em parceria com Banco do Brasil e Banco Rendimento, fez pesquisas na América Latina para descobrir o potencial do produto por aqui.

"Em todos os países, percebemos que os consumidores valorizam o controle financeiro que o cartão traz e a questão da segurança, porque a pessoa não precisa andar com dinheiro em espécie", diz Coronel.

Banco do Brasil vendeu 5.000 unidades em outubro

Desde que o Banco do Brasil lançou o cartão Ourocard Pré-Pago Visa, no começo de outubro, já foram emitidas 5.000 unidades do produto. A aquisição, por enquanto, é gratuita, e pode ser feita nas agências do banco.

Por agora, o cartão só pode ser adquirido por correntistas --que, no entanto, podem repassá-lo para outra pessoa.

A gerente-executiva do mercado de cartões da pessoa física do Banco do Brasil, Maria Izabel Gribel, diz que uma das possibilidades de uso é para pagamento de mesada para os filhos.

Para ela, o produto pode até ajudar na educação financeira da criança ou do adolescente, uma vez que força a administrar o próprio dinheiro. Essa é, também, a maior vantagem desses cartões pré-pagos na análise de especialistas em finanças pessoais.

"Acreditamos que essa é a nova fronteira do mercado de pagamentos. Em outros países, a demanda por cartões pré-pagos é muito grande. Conservadoramente achamos que 10% dos pagamentos serão feitos, em 2020, por meio de cartões pré-pagos", afirma Maria Izabel.

Cartão pode ser usado para compras pela internet

O banco Panamericano lançou seu pré-pago em abril em parceria com a Mastercard. O produto pode ser adquirido por qualquer pessoa nas unidades do banco e recarregado em casas lotéricas.

O diretor de cartões do Panamericano, Eliel Teixeira de Almeida, diz que o maior diferencial do produto é a possibilidade de fazer compras pela internet.

"Milhões de brasileiros querem fazer compras pela internet e não conseguem porque não têm cartão de crédito", diz Almeida.

 

 

 

Investidor global reduz alocação em ações

 

Por Jeremy Gaunt | Reuters, de Londres

Os investidores estavam tão preocupados em outubro com a possibilidade de os líderes da zona do euro não chegarem a um acordo para resolver a crise da dívida da região que reduziram a quantidade de ações em seus portfólios para o menor nível em 12 meses. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Reuters.

Ao mesmo tempo em que caiam as posições em ações, subiam, em outubro, as alocações em bônus, com destaque para os títulos do tesouro americano, graças ao estímulo do novo programa de troca de papéis do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

O levantamento da Reuters - realizado com 56 empresas líderes em gestão de recursos nos Estados Unidos, Japão, Europa e Reino Unido - mostrou que as posições médias em ações em um típico portfólio balanceado eram de 49,5% no mês passado, ante 50,5% em setembro. Já a posição em bônus avançou de 34,6%, em setembro, para 35,9% em outubro. Enquanto isso, a posição em caixa caiu de 6,3% em setembro para 5,9% no mês passado, ainda assim o maior nível dos últimos 12 meses.

A pesquisa foi conduzida um pouco antes de os líderes da zona do euro anunciarem um programa, composto por três etapas, para atacar o problema das dívidas soberanas na região, sobretudo em relação à Grécia.

Dado que os indicadores econômicos americanos melhoraram durante o mês e que o mercado de ações é amplamente visto como uma opção atraente neste momento, os resultados da pesquisa refletem a extensão dos temores, entre os principais investidores globais, de que a zona do euro não iria atuar com o vigor suficiente para conter a crise.

Apesar do anúncio do plano, ainda há preocupações, já que faltam muitos detalhes sobre a execução do programa. "A aversão global ao risco vai continuar até que os problemas da zona do euro tenham sido inteiramente resolvidos", afirma David Miller, sócio da Cheviot Asset Management, em Londres. "Apenas depois disso, é que o investidor vai avaliar as perspectivas de crescimento global".

O aumento das posições em bônus em outubro também reflete os temores dos investidores. A alocação global em papéis da dívida americana saltou de 35,2% para 40,3%, enquanto a posição dos investidores em bônus japoneses subiu levemente. A parcela das carteiras alocadas em bônus da zona do euro caiu de 29,1% para 27,5%, a quarta redução mensal consecutiva.

O ponto positivo para ativos de risco no futuro é que os níveis de caixa permanecem elevados. Dinheiro em caixa é frequentemente um sinal que os investidores estão prontos para comprar em ações. "Como os mercados têm sido excessivamente pessimistas, deve haver redução da aversão ao risco nos próximos meses", disse um participante da pesquisa no Japão.

 

 

 

Para diretor do G20 Research Group, opinião pública europeia terá de superar 'orgulho' e aceitar ajuda entre os antigos 'pobres'.

Enviado especial da BBC Brasil a Cannes - Os países europeus em dificuldades financeiras tentam a partir desta quinta-feira, na reunião de cúpula do G20 realizada em Cannes, na França, convencer os grandes países emergentes, como o Brasil e a China, a ajudá-los. Para analistas ouvidos pela BBC Brasil, os europeus devem deixar de lado um possível orgulho e admitir que não têm condições de deixar a crise sozinhos.

"Pedintes não podem escolher a quem pedir", afirma John Kirton, professor da Universidade de Toronto e diretor do G20 Research Group, que se dedica a acompanhar e analisar a atuação do grupo que reúne as principais economias do planeta.

Para ele, as resistências na opinião pública europeia à busca de ajuda entre os antigos "pobres" e a possível submissão às condições impostas para essa ajuda, como ter de seguir a cartilha de políticas do FMI, devem ser deixadas de lado por conta da necessidade.

"Certamente os italianos, por exemplo, não gostariam de receber ordens do Brasil ou da Rússia, mas se a Itália não conseguir equilibrar suas contas irá à falência e precisará de um resgate. E os países desenvolvidos sozinhos não têm condição de resgatá-los, quem pode fazer isso é o G20", diz.

Uma posição semelhante foi manifestada por Thomas Bernes, diretor-executivo do Centro para Inovação em Governança Internacional (CIGI) e especialista em G20. Para ele, "o orgulho europeu será ferido, mas há um crescente reconhecimento de que mais esforços serão necessários para conter a crise".

Interesse dos emergentes

Muitos analistas avaliam que é do interesse dos países emergentes ajudar a tirar os países europeus da crise, já que esse é um mercado importante de exportações para eles, além do fato de que um aprofundamento da crise teria um forte impacto global.

"É geralmente do interesse dos países emergentes agir cooperativamente no contexto do G20. Eles podem decidir ajudar mesmo sem estabelecer condições para isso", afirma o economista Ignacio Angeloni, editor do G20 Monitor, publicado pelo cento de estudos belga Bruegel.

Para John Kirton, "a Europa é um importante mercado para as exportações da China, que sabe que não pode deixar a Europa afundar".

"O governo chinês não quer arriscar um aumento do desemprego na indústria do país e a possível instabilidade social que isso pode trazer. Por isso, creio que farão de tudo para ajudar a evitar uma crise financeira global", diz.

Os países dos grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que se reuniram na manhã desta quinta-feira para discutir uma posição comum a respeito da crise europeia, já manifestaram que se dispõem a ajudar, mas desde que a ajuda seja canalizada por meio do FMI.

Para Kirton, o Brasil pode ter um papel-chave na definição de uma possível ajuda dos emergentes à Europa, por ter passado recentemente pela mesma situação, de estar "do outro lado do balcão", como receptor de ajuda do FMI após a crise asiática, de 1998.

"Se olharmos a história da última década, o Brasil na crise asiática era consumidor de segurança financeira, agora é produtor de segurança financeira", diz. "Dos países dos Brics, só a Rússia, que declarou moratória em 1998, também passou pela mesma situação", afirma.

Agenda ofuscada

A reunião anual de cúpula do G20, que começa oficialmente no início da tarde desta quinta-feira, vem tendo sua agenda ofuscada pelas discussões sobre a crise europeia e, principalmente, pelo anúncio da Grécia de que submeteria o plano de resgate do país anunciado na semana passada a um referendo, o que provocou pânico nos mercados financeiros na terça-feira.

Para Thomas Bernes, "a crise na zona do euro vai claramente consumir todo o oxigênio, deixando pouco tempo e atenção para a agenda mais ampla".

Poucos creem que a cúpula, ainda que consiga um apoio financeiro dos demais países do G20 aos europeus, sirva para dissipar definitivamente a crise, mas na avaliação de John Kirton, poderá ter o efeito de abrir espaço para o avanço posterior da agenda mais ampla do G20, surgida após a crise de 2008 com o objetivo de evitar a repetição de crises semelhantes.

Ele cita como exemplos a questão da regulação e dos controles no sistema financeiro, o estabelecimento de medidas para estabilizar os preços de commodities ou a reforma do FMI, que poderiam ajudar a reduzir o impacto da atual crise e a evitar novas crises.

Para Ignazio Angeloni, a crise europeia está dentro das competências do G20, que "já agiu com sucesso como gerenciador da crise em 2008 e poderá contribuir novamente na atual situação".

 

 

 

Segundo consultor do PBOC, em troca, 'não seria irracional solicitar ao menos um pouco mais de compreensão sobre os interesses chineses'

Danielle Chaves, da Agência Estado

PARIS - A China pode oferecer apoio para a zona do euro em um total de US$ 100 bilhões, afirmou Li Daokui, consultor do Banco do Povo da China (PBOC, banco central do país) e diretor do Centro para a China na Economia Mundial (CCWE, na sigla em inglês), segundo o jornal francês Le Figaro. "A China está pronta para ajudar a Europa", disse Li, acrescentando que duas condições precisam ser atendidas.


"A primeira é ter certeza de que a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) será efetiva em ajudar a estabilizar a situação", explicou. A segunda seria a União Europeia oferecer uma série de garantias, afirmou Li ao jornal.

Se essas condições forem atendidas, "uma soma de cerca de US$ 100 bilhões não é inconcebível", disse Li. Perguntado sobre se a China pediu algo em troca de seu apoio, o consultor afirmou que "não seria irracional solicitar ao menos um pouco mais de compreensão sobre os interesses chineses".

Os líderes dos países do G-20, que inclui a China, estão reunidos em Cannes, na França, para discutir a crise de dívida da zona do euro, entre outros assuntos. Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) realizaram pela manhã, às 6 horas (de Brasília), um encontro para discutir a ajuda dos emergentes à Europa. A reunião ocorreu antes do início do encontro do G-20.

 As informações são da Dow Jones.


 

 

Lucro do grupo ArcelorMittal retrai 51% no trimestre

Por Ivo Ribeiro | São Paulo

SÃO PAULO - O grupo ArcelorMittal, maior fabricante mundial de aço, informou hoje o balanço do terceiro trimestre. A publicação financeira e operacional mostrou um lucro líquido de US$ 659 milhões, o que representou queda de 51% em comparação ao resultado de US$ 1,35 bilhão de um ano atrás.

Em relação ao segundo trimestre, o desempenho da companhia sediada em Luxemburgo apresentou piora, com retração de quase 60%.

O desempenho operacional do grupo, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou em US$ 2,4 bilhões, com 11,4% de acréscimo em relação ao resultado obtido no ano passado no mesmo trimestre. Todavia, ficou bem abaixo dos US$ 3,41 bilhões do período abril-junho passado.

A receita líquida da companhia indoeuropeia somou US$ 24,2 bilhões no trimestre, com expressiva alta de 22,6% sobre o mesmol período de 2010, porém com leve retração, de 3,5%, na comparação com o segundo trimestre do ano (US$ 25, 13 bilhões). 

A siderurgia da Europa, onde está concentrada grande parte das operações da Arcelor Mittal, vem sofrendo com a crise soberana vivida por países da zona do euro.

No ano, até setembro, a ArcelorMittal acumulou receita de US$ 71,5 bilhões, ante US$ 57,3 bilhões nos nove meses do ano passado.

A empresa comandada pelo bilionário indiano Lakshmi Mittal, 47º homem mais poderoso do mundo segundo a revista "Forbes", com atuação em mais de 60 países, vendeu no trimestre 21,1 milhões de toneladas de aços planos e longos, com ligeira alta de 2,7%.

No Brasil, o grupo é o maior produtor de aço bruto, com usinas de aços planos e longos nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo e com uma unidade de laminação em Santa Catarina.    

A dívida líquida do grupo encerrou o trimestre em US$ 24,9 bilhões, apenas US$ 100 milhões inferior ao valor informado em 30 de junho.

(Ivo Ribeiro|Valor)

 

 

 

Bancos quebrados recebem perdão de R$ 19 bilhões em suas dívidas

Nacional, Econômico, Mercantil de Pernambuco, Banorte e Bamerindus terão corte de 30% sobre juros de débitos

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo

Alguns dos principais bancos que quebraram na década de 1990 estão prestes a conseguir um alívio bilionário em suas dívidas. Beneficiados por uma lei aprovada no meio do ano passado, instituições como Econômico e Nacional devem fechar, em breve, acordos de perdão de nada menos que R$ 18,9 bilhões em débitos.

O desconto total equivale a 30% de toda a dívida de cinco bancos: Nacional, Econômico, Mercantil de Pernambuco, Banorte e Bamerindus. Segundo o balanço do Banco Central (BC), em 30 de junho os débitos totais dessas cinco instituições eram de R$ 64,4 bilhões. Com os descontos, caem para R$ 45,5 bilhões, desconto de 30% sobre o total.

 

Desconto para bancos quebrados poderia ser maior, diz procurador

Os bancos se beneficiam da lei 12.249, proposta pelo Congresso Nacional e que concede descontos e outras condições especiais para o pagamento de débitos com autarquias e fundações públicas federais. A regra vale para qualquer empresa com esse tipo de dívida, não apenas bancos. Segundo fontes, além das instituições financeiras, outras 100 companhias entraram com pedidos semelhantes.

Para conseguir os descontos, que recaem sobre os juros da dívida, e não sobre o principal, as instituições tiveram que abrir mão de qualquer processo judicial em curso contra autarquias ou governo. Tiveram também de concordar com os termos do BC, o que gerou muita discussão.

Em outubro, o procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira, disse à revista Justiça e Cidadania que, se o BC tivesse acatado os pedidos dos bancos, haveria descontos adicionais de R$ 6,5 bilhões. O alívio, portanto, subiria para R$ 24,5 bilhões.

Ferreira afirmou à época que os bancos queriam pagar suas dívidas com créditos contra o Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), que supostamente valeriam R$ 29 bilhões. Mas, segundo ele, esses créditos são incertos, ilíquidos e inexigíveis. Além disso, a presidenta da República, Dilma Rousseff, vetou esse tipo de pagamento.

Mercantil na liderança

Segundo fontes, o banco mais adiantado no processo é o Mercantil de Pernambuco. A instituição deve R$ 1,9 bilhão (R$ 1,3 bilhão, com descontos). Sérgio Monteiro Cavalcanti, advogado do controlador do banco, Armando Monteiro Filho, diz que banco e BC tiveram muitas divergências sobre fatores de correção das dívidas, mas o Mercantil acabou aceitando os cálculos do Banco Central para poder agilizar o processo.

“Depois do acordo, o BC decidiu ouvir a opinião do Ministério Público, Secretaria do Tesouro Nacional e Procuradoria Geral do Tesouro Nacional”, diz. “Até onde sei, o Tesouro já enviou seu parecer à Fazenda, que estava para emitir seu próprio parecer e fazer o caminho de volta ao Banco Central.”

Cavalcanti afirma que a adesão à Lei é decidida pelo liquidante da instituição financeira, ou seja, a pessoa que ficou responsável por administrar ativos e dívida após a quebra. Acionistas precisam assinar um documento no qual dizem concordar com a decisão.

De acordo com fontes, o Mercantil também é o que está em melhor situação financeira. Segundo o gabinete de liquidação do banco, o patrimônio líquido da instituição pernambucana deve ficar positivo em breve. “O Banco Central autorizou a realização de um leilão de notas cambiais do banco com vencimento em 2024”, diz Cavalcanti.

 

Agência do Banorte, o banco que menos deve

O dinheiro arrecadado no leilão será usado, afirma o advogado, para pagar todas as dívidas com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). Depois, serão quitadas dívidas de impostos, trabalhistas, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Garantidor de Crédito. Caso sobre dinheiro, irá para o bolso dos controladores. Armando Monteiro Filho, atualmente com 86 anos, detém 72% do banco, por meio de duas empresas. O Banco Rural, que ficou com a parte podre do Mercantil, detém 24% do total.

Para Cavalcanti, o processo do Mercantil foi o mais rápido em função da ausência de acionistas minoritários. “Como não teve contestações judiciais, o liquidante conseguiu ir pagando as dívidas. Outros bancos não tiveram tanto sucesso, pois sofreram várias ações judiciais que congelaram os bens e impediram os pagamentos.”

O Banorte, que deve R$ 738 milhões (R$ 623 milhões com descontos) também aderiu aos critérios do BC e ainda está em análise uma proposta de inclusão de títulos em pagamento da dívida com o Proer. O banco, segundo fontes, assinou termo de parcelamento da dívida, em 180 meses.

Maiores

Os maiores devedores do Proer, Econômico e Nacional, ainda não responderam se concordam com os critérios do BC, apesar de terem aderido à lei. Segundo as fontes, o Banco Central deu prazo até este mês de novembro para que os bancos avaliassem as regras.

O Nacional deve nada menos que R$ 31,7 bilhões. Com os descontos, são R$ 22,2 bilhões. No caso do Econômico, o débito é de R$ 27,2 bilhões, sem desconto, e de R$ 18,8 bilhões, com o alívio.

Agência do antigo Econômico

Nelson Felmanas, advogado do controlador do Econômico, Ângelo Calmon de Sá, diz que o banqueiro concordou com a adesão à lei porque o plano final permitirá o pagamento de todos os credores. “São milhares de credores envolvidos. Essa renúncia fiscal da União tem o objetivo de ressarcir essas pessoas”, diz.

O advogado vê poucas chances de Calmon de Sá sair do processo com dinheiro extra no bolso. “O dinheiro irá primeiro para os credores, depois os minoritários. Não deve sobrar nada para os controladores.” De qualquer maneira, Calmon de Sá é o único entre os controladores de grandes bancos quebrados que pode dispor de seus bens. O arresto dos bens foi suspenso na Justiça em 2006.

A adesão à lei, segundo fontes, deve ajudar também as contas dos demais banqueiros e controladores. O acerto para o pagamento das dívidas, mesmo que parceladas, é um grande passo para a liberação dos bens e também para o fim da liquidação das instituições.

Bamerindus

O banco é o único da lista que não deve ao Proer, mas entrou no processo para quitar dívidas de reserva bancária. Quando a lei 12.249 foi editada, a instituição já havia quitado suas dívidas com o programa. Sem descontos, deve R$ 2,7 bilhões. Com descontos, R$ 2,3 bilhões.

 

 

 

Bacia de Campos enfrenta queda na produção de óleo

 


Campos antigos e atrasos na entrada de novos sistemas afetam resultado


Produção, que foi de 1,744 milhão de barris ao dia em janeiro, chegou a cair para 1,612 milhão em julho

CIRILO JUNIOR
DE SÃO PAULO

Principal área produtora de petróleo no Brasil, a bacia de Campos enfrenta problemas para manter em alta a sua produção. Declínio mais acelerado de campos antigos, atraso na entrada de novos sistemas de produção e problemas na manutenção de plataformas da Petrobras fazem com que a produção oscile constantemente, com viés para baixo.
Em 2010, a produção na bacia teve a primeira queda em oito anos, para 1,676 milhão de barris/dia em média, ante 1,693 milhão em 2009. Nos anos anteriores, a produção na região crescia significativamente.
Neste ano, de janeiro a setembro, a produção segue, na média, no mesmo patamar, em 1,673 milhão de barris. No entanto, nos últimos meses há uma queda abrupta. Em janeiro, a produção em Campos chegava a 1,744 milhão de barris/dia. Chegou a cair para 1,612 milhão de barris/dia em julho e 1,615 milhão de barris diários em agosto. No mês seguinte, teve leve recuperação, para 1,654 milhão de barris.
A Petrobras minimiza os números e diz que a variação negativa é insignificante e que pode ser encarada como estabilidade. Sustenta que essas variações são normais na indústria do petróleo. Ao todo, 54 plataformas estão instaladas na bacia de Campos. São 17 unidades com mais de 20 anos de operação, e outras 12 que já passaram dos dez anos de produção.
Desde 2004, a Petrobras instalou 15 novas plataformas na região. Algumas enfrentam entraves operacionais. É o caso da P-50, no campo de Albacora Leste, e do navio-plataforma Capixaba, instalado no Parque das Baleias, cujos problemas no funcionamento de compressores interferiram no desempenho dos últimos meses. A P-50, por exemplo, cuja capacidade total é de 180 mil barris/dia de petróleo, produziu, em julho, apenas 49 mil barris por dia, em média.

MANUTENÇÃO
Além de problemas operacionais, cresceram casos de falha de manutenção nas unidades de produção, especialmente nas mais antigas. O Ministério do Trabalho intensificou a fiscalização e chegou a interditar plataformas, como a P-20 e a P-35. Outro fator é a perda de produtividade com o passar dos anos. Campos de petróleo com mais de 15 anos de produção têm declínio médio de 10% ao ano.
Em alguns casos, no entanto, a queda de produtividade vem sendo mais acelerada do que o esperado, e esse declínio chega a atingir 20% por ano em determinadas áreas.
A Petrobras diz que essa perda de produtividade é inferior à média mundial, que fica em torno de 18%. A empresa enfrentou atrasos na entrada em operação de novas plataformas.
"Há pressão política forte para que a Petrobras compre tudo no Brasil. A indústria local não dá conta. O conteúdo nacional atrasa alguns projetos", diz Rafael Schechtman, consultor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

 

 

Oi contesta acusação e diz que Embratel reclama de competição

 



Operadora reconhece problemas de bloqueio, mas diz terem sido isolados e insuficientes para causar danos


DE SÃO PAULO

A Oi informa que bloqueou o uso das operadoras concorrentes somente dos clientes que fizeram o pedido. Segundo o diretor de regulação, Paulo Mattos, esses clientes optaram por aderir ao plano de descontos nas tarifas de chamadas de longa de distância desde que usassem os códigos da Oi.
Ainda segundo ele, muitos clientes preferiram bloquear o acesso de suas linhas às outras operadoras de DDD e DDI porque, se elas fossem utilizadas, a tarifação passaria a ser cheia (sem desconto). Em empresas, por exemplo, seria impossível controlar esses acessos e, por isso, o bloqueio seria a melhor alternativa para usufruir de descontos.
"A fidelização é uma prática normal no mercado", diz Mattos. "Não há nada de errado, tanto que esse plano foi aprovado pela Anatel." Para ele, a Embratel reclama porque o mercado está cada vez mais competitivo. De fato, a operadora -que pertence ao bilionário mexicano Carlos Slim- perdeu demais para as entrantes. A Embratel, que chegou a ter mais de 80% desse mercado (em minutos), antes da abertura do mercado, só tem 26%. A TIM agora é líder, com 46,8%, e a Oi passou de 33,8%, em 2007, para 13,7%, em 2011.

FALHA EM CENTRAL
Mattos informa ainda que, após a reclamação da Embratel, foi detectado um problema em centrais da Oi que se recusaram a desbloquear linhas a pedido dos clientes.
É possível que eles tivessem aderido ao "DDD ilimitado 21" da Embratel. "Foi um erro que já está corrigido." Mattos não revelou o número de linhas bloqueadas, mas disse que ter sido insuficiente para gerar as perdas que a Embratel afirmou ter registrado. "É um exagero", disse. (JW E MPA)

 

 

Chinesas negociam compra de parte da portuguesa Galp



Empresa prevê ao menos US$ 2,8 bi com venda de fatia de negócios no Brasil


Galp é sócia de quatro campos de petróleo no país -um deles é o Lula, o maior já descoberto pela Petrobras

FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM

A estatal chinesa Sinopec negocia a compra de parte da portuguesa Galp Energia no Brasil, revelou a agência de notícias Bloomberg. A transação está estimada em pelo menos US$ 2,8 bilhões.
Além da Sinopec, outras duas estatais chinesas, a PetroChina e a Cnooc, estão interessadas na aquisição, segundo a imprensa portuguesa. O quarto concorrente seria a Ipic (International Petroleum Investment Company), dos Emirados Árabes Unidos.
Na semana passada, o presidente da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, disse que espera levantar um mínimo de US$ 2,8 bilhões com a venda de parte de seus negócios no Brasil. A previsão da empresa é fechar um acordo ainda neste mês.
"Estamos neste momento negociando com uma lista reduzida de concorrentes, que nos apresentaram propostas vinculativas [propostas firmes]. A ideia é concluir todo o processo negocial e a escolha da proposta vencedora no curto prazo", disse à Folha, por e-mail, Tiago Villas-Boas, diretor de relações com investidores da Galp. A empresa portuguesa é sócia de quatro campos de petróleo no Brasil.
Um deles é o Lula (ex-Tupi), o maior campo já descoberto pela Petrobras, com reservas estimadas de 6,5 bilhões de barris. O megacampo foi rebatizado no final do ano passado, em homenagem ao ex-presidente, então a dois dias de deixar o poder. A Galp também tem participação no campo Cernambi, com estimativa de 1,8 bilhão de barris em reservas.
No ano passado, a Sinopec pagou US$ 7,1 bilhões por 40% da Repsol Brasil. É o maior investimento chinês no Brasil e o segundo maior do gigante asiático em petróleo no exterior.
Fica atrás apenas da compra da petroleira Addax, que custou US$ 8,3 bilhões e tem reservas de petróleo no Iraque e na África. O outro investimento chinês no petróleo brasileiro veio da estatal Sinochem. Pagou US$ 3,07 bilhões por 40% do campo Peregrino (bacia de Campos) e agora é sócia da norueguesa Statoil.

 

 

 

NERVOS DE AÇO

NERVOS DE AÇO
Apesar das negativas, Benjamin Steinbruch continua conversando para entrar no bloco de controle da Usiminas. Investe nas ações da Camargo Corrêa. A negociação é complexa pois há resistências à sua entrada na companhia. Os atuais sócios também negociam entre si.

AÇO 2
As negociações com a Previ, de quem gostaria de comprar 10% das ações da Usiminas, estão "adormecidas", de acordo com agente do mercado que acompanha o movimento do empresário. Caso consiga entrar na empresa pela "porta da frente", poderiam ser retomadas.

 

 

Research
Research & Institucional

 

Um Investimentos
Corretora de Valores
Av. Chedid Jafet, 222/Bl. A - 4° andar. CEP: 04551-065 - São Paulo - SP – Brasil

T +55 11 3525-3525

calls@eum.com.br | www.uminvestimentos.com.br

 

O resultado veio com o fortalecimento das vendas e o aumento de preços para compensar o avanço de 14% nos custos

 

Agência Estado

NOVA YORK - A Kraft Foods registrou um lucro líquido de US$ 922 milhões, ou US$ 0,52 a ação no terceiro trimestre deste ano, 22% a mais que os US$ 457 milhões ou US$ 0,43 a ação no mesmo período do ano passado. O resultado veio com o fortalecimento das vendas e o aumento de preços para compensar o avanço de 14% nos custos.

A receita aumentou 12%, para US$ 13,2 bilhões. Excluindo-se aquisições e mudanças cambiais, a receita subiu 8,4%. Analistas entrevistados pela Thomson Reuters haviam projetado um lucro de US$ 0,55 por ação e uma receita de US$ 12,81 bilhões.

A CEO da Kraft, Irene Rosenfeld, disse que um aumento expressivo do marketing para apoiar as marcas somado ao lançamento de novos produtos ajudou a tornar os aumentos de preços mais palatáveis para varejistas e consumidores.

Os lucros do terceiro trimestre da Kraft foram melhores que as estimativas de Wall Street. No entanto, as ações da empresa caíram cerca de 0,5%, para US$ 34,48 no final do pregão. A companhia se prepara para uma divisão em duas no fim de 2012.

As informações são da Dow Jones. (Paula Moura)


 

 

 

Quem puxa o gatilho

 

Autor(es): César Felício

Valor Econômico - 03/11/2011

 

A crença na corrupção intrínseca da atividade política é um dos eixos que parece unir a humanidade em todo o planeta. Ela se sustenta em elementos concretos: nos sistemas democráticos, a competição eleitoral pelo poder torna o financiamento das campanhas um problema e nos sistemas autocráticos, cada funcionário público é um senhor feudal a exigir dos servos a corveia.

Protestar nas ruas contra a voracidade dos poderosos, em tese, é um gesto tão eficaz quanto uma passeata contra a maldade, ainda que o repúdio à corrupção por vezes se torne o combustível para mudanças políticas - não necessariamente profundas. O poder de Silvio Berlusconi na Itália pode ser descrito como uma das consequências evidentes da operação "Mãos Limpas" nos anos 90.

Em nenhuma outra parte em 2011 um presidente em seu primeiro ano de mandato demitiu cinco ministros atingidos por denúncias, como ocorreu com Dilma Rousseff, mas o Brasil está longe, muito longe, de ser um país de padrão moral abaixo da média. Medições internacionais sobre a ladroagem não faltam e o Brasil nelas não lidera. O que dá ao país indiscutível destaque é a capacidade desestabilizadora do tema.

A presidente argentina Cristina Kirchner esbraveja contra os "monopólios de mídia" do El Clarín e do La Nación, mas é no Brasil que capa de revista e vídeo em telejornal derrubam autoridades. De resto, sobram na Argentina os mesmos elementos que no Brasil se convertem em escândalo: de um ex-ministro que morou em apartamento alugado por empreiteira a um diretor de ONG que matou os pais com uma barra de ferro e sumiu com dinheiro público para a habitação popular. Tudo devidamente denunciado pela imprensa e no Congresso argentino, com impacto zero.

A última pesquisa sobre percepção de corrupção da Transparência Internacional, disponível na Internet e realizada em 2010, mostrou que a polícia brasileira ficou na vigésima nona posição, com imagem melhor que as de Taiwan e do México, por exemplo. O parlamento brasileiro se situou como o décimo primeiro mais venal, atrás do da Colômbia e o do Peru, entre os países latinos. Os partidos brasileiros ficaram na trigésima posição em relação aos da Grécia.

Também o brasileiro não sobe ao pódio quando se tenta medir a outra ponta da corrupção. Na semana passada, foi divulgada a pesquisa da ONG chilena Latinobarômetro, em que se perguntou a pesquisados de dezoito países se consideram aceitável pagar propinas para obter serviços. Dos pesquisados brasileiros, 23% disseram que sim. A média latinoamericana foi 24%.

Quando atuam no exterior as empresas brasileiras também não são mais corruptoras que a média. Divulgada ontem, a pesquisa da Transparência Internacional sobre o pagamento de propinas ao exterior mostra que, em um índice de um a dez, em que quanto menor a nota maior a disposição do pesquisado em corromper, o empresário do Brasil obteve um grau de 7,7 de honestidade, a décima quarta colocação entre os 28 países pesquisados. O país ficou dois décimos acima da Índia. Na Rússia, última colocada, o grau foi de 6,1. Na Holanda, primeiro lugar, o índice atingiu 8,8.

A pesquisa ouviu cem empresários de cada um dos países e inovou porque seu foco não se limita apenas a registrar o pagamento de subornos a administradores públicos. Também procurou medir a ocorrência de propinas entre ente privados, uma transgressão que somente agora está sendo criminalizada em um ou outro país. No Reino Unido (índice de 8,3 na pesquisa, oitava colocação), por exemplo, a prática tornou-se crime neste ano. Ninguém está totalmente limpo: Alemanha e França, respectivamente a quarta e a décima-primeira colocada nesta pesquisa, são a origem de multinacionais que se tornaram célebres por corromper mandatários nos últimos anos, inclusive no Brasil.

As cabeças cortadas na Esplanada não encontram a sua explicação em alguma vocação inusitada do político brasileiro para o roubo e obviamente também não são produto da eficiência das instituições de controle. A corrupção no Brasil se torna escândalo e motor para mudanças pela disputa dentro do próprio poder. Não foi o Ministério Público ou a oposição, mas operadores de dentro do próprio sistema, como um deputado da base aliada do governo na Assembleia de São Paulo ou um correligionário diretor de ONG, no caso do ministério dos Esportes, que fizeram a máquina girar. "O que dispara o gatilho é a dinâmica de competição política dentro dos governos", observou o cientista político argentino Manuel Balan, da Universidade do Texas, no artigo " A Competição pela Denúncia".

Balán analisou 44 casos de corrupção divulgados na Argentina entre 1989 e 2007. Destes, 33 aconteceram durante o governo de Carlos Menem, na primeira década do período. O pesquisador não se deteve muito nas duas hipóteses óbvias para explicar esta concentração: a de que Menem teria tido um governo mais corrupto do que o de outros presidentes ou a de que os instrumentos de controle teriam sido mais eficazes em sua época. Nenhuma das explicações podia responder porque a ocorrência de escândalos foi maior no começo e no final do período presidencial menemista do que no meio. Balán mostra que a curva de escândalos se superpõe a do enfraquecimento presidencial por divisões internas ou perda de popularidade.

Transpondo o raciocínio para o caso brasileiro, não é possível inferir se o governo de Dilma Rousseff é menos ou mais corrupto que o de seus antecessores ou decidir pelo noticiário qual foi o governador do Distrito Federal mais desonesto, mas pode-se afirmar, com razoável margem de certeza, que as guerras internas se aprofundam.

César Felício é correspondente em Buenos Aires. Escreve mensalmente às quintas-feiras

 

 

 

 

01/11/2011

Russos decidem reabrir acordo na área de carne

Por Assis Moreira | De Genebra

A Rússia reabriu o acordo de carnes com o Brasil e outros exportadores, por pressão dos EUA, às vésperas da negociação final para sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Deu outro problema e isso é grave, porque os produtores brasileiros são os mais atingidos", disse um importante negociador.

O Valor apurou que uma das novas dificuldades envolve o acesso de cortes bovinos de melhor qualidade (a chamada cota Hilton) para o mercado russo. Exportadores até minimizaram o problema, mas outros surgiram nos últimos dias. Na carne de frango, os EUA querem renegociar a redistribuição da cota para obter vantagens a seus produtores. Pelo acordo de carnes, os russos negociam cotas e outras regras de acesso dos produtos em seu mercado, em troca de apoio para a OMC.

O plano na OMC é de a reunião final para o pacote de concessões russo ser discutido na semana que vem em Genebra, para os russos eventualmente serem aceitos como sócios da entidade no fim do ano, após 18 anos de negociações. Só que Moscou voltou a surpreender, reabrindo o altamente sensível acordo de carnes. Os EUA insistem para arrancar melhores concessões para seus produtores, de uma forma que os brasileiros é que vão pagar a maior parte da conta.

Em 2005, quando o então presidente Lula assinou um acordo bilateral de apoio ao russos, Moscou prometera que o acesso das carnes brasileiras não pioraria. Desde então, não só as exportações diminuíram como a Rússia conseguiu reduzir significativamente as quantidades de importação a que se comprometeu nas negociações na OMC.

 

 

 

BRADESPAR (BRAP - N1) - Distribuicao de juros sobre o capital proprio e

 

DRI: Renato da Cruz Gomes

 

Enviou o seguinte Fato Relevante/ Ata da RCA de 31/10/2011:

 

"Aos 31 dias do mes de outubro de 2011, as 17h, na sede social, Avenida

Paulista, 1.450, 9o andar, Cerqueira Cesar, Sao Paulo, SP, reuniram-se os

membros do Conselho de Administracao da Sociedade sob a presidencia do senhor

Lazaro de Mello Brandao. Durante a reuniao, os Conselheiros aprovaram a proposta

da Diretoria, registrada em Reuniao de 28.2.2011, para pagamento aos acionistas

da Sociedade da 2a Parcela da Remuneracao Anual Minima, no valor de

US$150,000,000.00, na forma de:

 

" Juros sobre o Capital Proprio no valor de R$253.000.000,00, sendo

R$0,679649979 por acao ordinaria e R$0,747614978 por acao preferencial;

 

" Dividendos no valor de R$1.800.000,00, sendo R$0,004835454 por acao ordinaria

e R$0,005319001 por acao preferencial.

 

Os Juros e os Dividendos totalizam R$254.800.000,00, que considerando a cotacao

do dolar de venda (Ptax-Opcao 5) de 28.10.2011, divulgada pelo Banco Central do

Brasil, equivalem a US$150,000,000.00.

 

Os pagamentos serao feitos em 14.11.2011, beneficiando os acionistas inscritos

nos registros da Sociedade nesta data (31.10.2011), sendo:

 

" Juros sobre o Capital Proprio pelo valor liquido de R$0,577702482 por acao

ordinaria e R$0,635472731 por acao preferencial, ja deduzido o Imposto de Renda

na Fonte de 15% (quinze porcento), exceto parinam. aa) Lazaro de Mello Brandao, Antonio Bornia,

Mario da Silveira Teixeira Junior, Joao Aguiar Alvarez, Denise Aguiar Alvarez,

Luiz Carlos Trabuco Cappi, Carlos Alberto Rodrigues Guilherme e Milton

Matsumoto."

 

Norma: a partir de 01/11/2011, acoes escriturais ex-juros e ex-dividendo.

 

 

 

 

Private banking cresce 15,7% neste ano

 

Por Silvia Rosa | São Paulo

Os ativos sob gestão dos clientes de grandes fortunas cresceram 15,7% neste ano, até setembro, somando R$ 429,64 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No mês passado, os recursos sob gestão dos clientes de private banking tiveram um aumento 2,41% em relação a agosto.

Com o desempenho fraco no mercado de ações, as aplicações em renda variável recuaram 11,6%, passando de 18,4% do portfólio, em dezembro de 2010, para 14% em setembro deste ano. Já a participação em renda fixa aumentou de 29,3% para 35,7% no período. Cerca de 94% dos recursos em renda fixa estão alocados em títulos privados como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs).

Já os recursos aplicados na caderneta de poupança passaram de 0,6% para 0,8% do patrimônio no período. As aplicações em fundos de previdência aberta também cresceram 35,9% neste ano, até setembro, representando 4,2% dos recursos sob gestão.

Do total do patrimônio de R$ 429,64 bilhões, 23,6% estão em fundos abertos e 17,9% em carteiras exclusivas.

Já os investimentos em produtos estruturados, como fundos de participações e imobiliários, além de carteiras crédito privado como os FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditório) cresceram 20,5%, representando 3,5% do patrimônio.

Hoje, São Paulo concentra o maior número de milionários, representando 56,4% do mercado de private banking, seguido pelo Rio de Janeiro (17,2%) e a região Sul (12,9).

 

 

 

Mercado entra na fase "show me the money"

Por Daniele Camba

Passada a euforia inicial com o novo pacote de salvamento europeu, o mercado entra na fase "show me the money". De volta ao racionalismo, os investidores agora querem saber os detalhes das medidas e, principalmente, de onde virá todo o dinheiro necessário para que o novo pacote não se torne apenas um amontoado de boas intenções, mas sem efetividade alguma.

Sem respostas para todos esses questionamentos, os principais mercados devolveram ontem parte dos ganhos acentuados do fim da semana passada. No seu pior momento, o Índice Bovespa chegou a cair mais de 2%, mas fechou em baixa um pouco menor, de 1,97%, aos 58.338 pontos. "Depois do alívio inicial, os investidores agora esperam que os governos europeus respondam questões cruciais desse novo pacote", diz o gerente de vendas da filial Rio da Fator Corretora, Cristiano Braga.

Investidor quer saber os detalhes do plano europeu

Na visão dele, enquanto as respostas não aparecerem, o mercado deve continuar sem rumo, já que analistas e investidores não terão informações suficientes para calcular qual o desconto que os ativos de fato devem ter. Esse movimento errático dos mercados está claro na volatilidade dos papéis.

O VIX (índice que mede a volatilidade das opções de ações da bolsa dos Estados Unidos) voltou a subir e está em torno de 27 pontos. Em condições normais, esse indicador costuma oscilar entre 17 e 18 pontos.

Se esse sobe e desce pode significar ganhos para os investidores profissionais acostumados com movimentos tão adversos, pode representar perdas acentuadas para as pessoas físicas que se aventurarem a fazer o mesmo.

As expectativas agora recaem sobre a reunião do G-20, marcada para quinta e sexta-feira dessa semana. O que se espera é que os governos europeus expliquem minimamente como o novo pacote sairá do papel.

Como um típico movimento de realização de lucros, entre os papéis que mais caíram ontem estavam vários que acumularam ganhos interessantes nos últimos dois dias da semana passada.

Um bom exemplo são as ações das construtoras e as de commodities. As ordinárias (ON, com direito a voto) da MRV, Rossi Residencial, PDG Realty e Cyrela Realty figuraram entre as maiores baixas dentro do Índice Bovespa.

Em relação às ações de commodities, além os problemas na Europa, há um grande temor sobre uma possível desaceleração abrupta da economia chinesa. Se isso ocorrer, é impossível as commodities passarem ilesas, especialmente o minério de ferro, já que a China é o maior comprador dessa matéria-prima.

De lambuja, as siderúrgicas chinesas não perderão a oportunidade de regatear preços menores do minério que importam. Esse cenário todo está longe de ser positivo para a Vale, lembra Braga, da Fator Corretora.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail daniele.camba@valor.com.br

 

 

GPC conclui aumento de capital de R$ 60 milhões

 

Por Marina Falcão | De São Paulo

A GPC Participações concluiu ontem um aumento de capital de R$ 60 milhões, mediante a emissão de 150 milhões de novas ações. De acordo com comunicado ao mercado, a companhia, que investe nos setores de química e aço, divulgará, em breve, um informativo detalhando sua nova composição acionária.

Segundo apurou o Valor, alguns acionistas - principalmente membros da família Peixoto de Castro, que detinham juntos 61% do capital da empresa - abriram mão do seu direito de subscrição e reduziram sua participação durante a operação.

A estrutura de controle da GPC não se modificou, mas a parcela de ações em circulação da companhia aumentou de 17% para cerca de 40%.

O súbito aumento de liquidez chamou a atenção da BM&FBovespa e, na semana passada, a GPC precisou prestar esclarecimentos em relação à disparada de negociações das suas ações na bolsa.

No dia 13 de outubro, a empresa teve 14 negócios, movimentando R$ 48 mil. No dia 21 do mesmo mês, foram 2.087 negócios, com giro de R$ 9,6 milhões.

A companhia só possui papéis ordinários (com direito a voto). Do início do ano para cá, eles se valorizaram mais de 130%, encerrando o último pregão em alta de 4%, cotados a R$ 0,70. Trata-se da maior valorização da bolsa neste ano.

Os recursos levantados durante o aumento de capital servirão para abater dívidas, segundo informa a companhia.

 

 

 

Aumento de preços terá impacto de US$ 1,2 bi no caixa da Petrobras

Por Cláudia Schüffner | Do Rio

O aumento dos preços da gasolina (10%) e diesel (2%) na sexta-feira ainda está sendo digerido pelos analistas do mercado financeiro que acompanham a Petrobras. A constatação unânime é que os novos preços não são suficientes a ponto de trazer um alívio para a empresa, que está às voltas com um bilionário programa de investimentos e tendo que suprir o mercado com importações de gasolina e diesel. Hoje, a demanda é superior à capacidade atual de refino da estatal.

O Credit Suisse estima que o aumento vai gerar uma melhora de apenas US$ 1,2 bilhão no caixa da estatal, em base anualizada, o que significa um acréscimo de US$ 100 milhões por mês. É um resultado modesto, considerando que se trata de um empresa que vale US$ 180 bilhões. Ontem à noite o valor de mercado da companhia estava em R$ 291,207 bilhões, uma perda de R$ 2,95 bilhões em relação ao valor do fechamento na sexta.

"Além disso, o fluxo de caixa marginalmente melhor em 2012 será totalmente consumido na forma de investimentos, que, no nosso ponto de vista, trarão retorno apenas perto de seu custo de capital, na melhor das hipóteses, com benefício mínimo para os acionistas. Assim, a questão mais crítica sobre como o dinheiro (da Petrobras) é gasto pelo acionista (governo) permanece", escreveu o analista Emerson Leite, em relatório enviado a clientes.

Marcus Sequeira, analista do Deutsche Bank, em Nova York, ressaltou que, apesar dos benefícios do aumento sobre o fluxo de caixa, o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da área de refino da Petrobras deve continuar no vermelho, pois o aumento do preço do diesel não foi suficiente e o preço no Brasil continua 14% abaixo do mercado internacional.

Emerson Leite, do Credit Suisse, calcula que mesmo depois do aumento de 2% o diesel ainda é vendido pela Petrobras no Brasil 20% abaixo do preço de referência no mercado internacional. E esse combustível, lembra o analista, é relevante por se tratar de um importante parâmetro para o lucro da companhia.

"Em nossa opinião, isso [o aumento] também pode ampliar a questão da política de preços inconsistentes. A Petrobras vem defendendo que nos últimos oito anos tem buscado uma convergência dos preços a médio prazo para diesel e gasolina, promovendo mudanças quando há novo patamar de preços. Mas podemos dizer que uma mudança de 2% é um novo patamar de preços? Certamente não, então não compreendemos o racional desse valor simbólico", critica Leite.

Ricardo Corrêa, da Corretora Ativa, observou que a decisão do governo de acatar os pedidos da Petrobras para elevar os preços, sempre negados por ela, "pode indicar que o fluxo de caixa da estatal está apertado, comprometendo o volume de investimento para o próximo ano". "Adicionalmente", diz ele, "ressaltamos que a partir deste corte resta pouco espaço para neutralização de novos repasses de eventuais elevações no preço internacional da gasolina ao preço praticado no mercado interno".

O tom das críticas pode ser o motivo que explica a divulgação ontem à tarde de uma nota da estatal repetindo que sua política de preços "consiste no acompanhamento da tendência de médio e longo prazo dos preços internacionais, de forma a manter a competitividade da companhia, mas evitando transferência da volatilidade de preços ao mercado interno".

 

 

 

Bradesco cria empresa para administrar ativos imobiliários

Por Carolina Mandl | Valor

SÃO PAULO - Dono de um patrimônio de R$ 3,8 bilhões em imóveis, o Bradesco anunciou a criação de uma empresa para administrar seus ativos, a Bradesco Empreendimentos Imobiliários (BSP).

Responsável a partir de agora pela gestão de 840 imóveis, a nova companhia vai buscar, "ganho de eficiência e otimização de estrutura", segundo comunicado enviado à bolsa na segunda-feira, incluindo a redução de custos.

A BSP também poderá buscar construir empreendimentos em parceria com terceiros, de olho na valorização imobiliária.

Neste ano, o Banco do Brasil anunciou também mudanças em sua estrutura imobiliária. O banco vai expandir sua rede de agências bancárias por meio de um fundo de investimento imobiliário que vai buscar pontos para a construção dos estabelecimentos, além de reformá-los.

Com a parceria com investidores, o banco não precisará imobilizar seus ativos, passando a pagar apenas aluguel nessas novas agências.

(Carolina Mandl | Valor)

 

 

 

10 notícias para lidar com os mercados nesta terça-feira

Itaú Unibanco tem lucro líquido de R$ 3,8 bilhões; Referendo grego ameaça nova crise na zona do euro

 

Bolsas europeias abrem em forte queda no pregão desta terça-feira

São Paulo – Aqui está o que você precisa saber:

1 - Itaú Unibanco fecha terceiro tri com lucro líquido de R$ 3,8 bi. A expectativa média de nove analistas consultados pela Reuters apontava para lucro líquido de 3,62 bilhões de reais no período. nível de inadimplência da carteira, medida pelo saldo de operações vencidas com prazo superior a 90 dias, foi de 4,7 por cento, contra 4,5 por cento no trimestre anterior e 4,2 por cento em igual período de 2010.

2 - Lucro da Cielo cai 6,3%, para R$ 457,6 mi no terceiro trimestre. Lucro líquido teve redução de 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume financeiro capturado nos terminais da empresa que fazem a leitura dos cartões de crédito e débito somou R$ 80,5 bilhões, aumento de 20,4% em 12 meses e 6,2% no trimestre. O total das operações com cartões de crédito foi o destaque e cresceu 21%, enquanto o de débito, 14%.

3 - Referendo grego ameaça nova crise na zona do euro. Premiê grego fez anúncio para colocar o resgate do país em um referendo, que ameaça intensificar a crise da zona do euro. Papandreou disse que precisava de maior apoio político para as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais.

4 - Produção industrial no país cai 2% em setembro, diz IBGE. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que estimavam desde uma queda de 2,4% até uma estabilidade, com mediana negativa de 1,30%.

5 - Petrobras prevê triplicar exportações até 2020, diz Gabrielli. Empresa prevê produção entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de barris por dia. "Estamos prevendo que nos tornaremos um grande exportador líquido até 2020, não só de produtos derivados de petróleo mas de petróleo em si", afirmou José Sérgio Gabrielli em uma conferência sobre energia em Cingapura. A Petrobras atualmente exporta 520 mil barris por dia de petróleo.

6 - Credit Suisse demitirá 1.500 funcionários. No fim de julho, o banco anunciou a demissão de 2.000 trabalhadores para enfrentar condições difíceis de mercado. O banco registrou uma alta de 12% no lucro líquido no terceiro trimestre, em ritmo anual, a 683 milhões de francos suíços, abaixo das previsões dos analistas.

7 - Bolsas da Ásia apresentam baixa; Hong Kong perde mais 2,5%. A desaceleração industrial do país azedou o humor dos investidores, já afetado pelas novas preocupações com a crise da dívida da zona do euro.

8 - Bolsas europeias abrem em queda no pregão desta terça-feira. A maior queda entre os índices foi o da bolsa de Frankfurt, com baixa de 3,38%. O principal índice da Bolsa de Valores de Londres, o FTSE-100, abriu a sessão desta terça-feira com queda de 1,92%, aos 5.437,66 pontos.

9 - Inflação medida pelo IPC-S desacelera para 0,26%, diz FGV. O resultado fechado de outubro ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que apostavam uma elevação entre 0,19% e 0,30%, sendo levemente superior à mediana das expectativas, de 0,25%. Tóquio cai 1,7%.

10 - Ministro da Argentina tenta acalmar mercado pelo Twitter. O ministro de Economia da Argentina e vice-presidente eleito, Amado Boudou, tentou hoje acalmar as expectativas do mercado local em torno da cotação do câmbio e, ao mesmo tempo, denunciou manobras para provocar tensão por meio da rede de microblogs Twitter.

 

 

 

Um respiro para o investidor

Depois de meses a fio convivendo com uma volatilidade elevada, o investidor talvez possa experimentar um certo respiro neste fim de ano. O acordo entre os líderes da zona do euro para estancar a crise da dívida soberana de países da região deve amenizar as oscilações dos mercados. Não que a perspectiva seja de céu de brigadeiro, muito pelo contrário. Ainda há muitas dúvidas no horizonte. Mas pelo menos saiu do radar um calote desordenado na Europa.

Outubro foi marcado pelas preocupações com relação à capacidade de pagamento da dívida da Grécia e os efeitos que um eventual calote do país traria aos bancos detentores desses títulos. Além disso, havia o temor de que a difícil situação grega contaminasse outras economias altamente endividadas - como Itália e Espanha -, trazendo dificuldade para que elas se financiassem.

 

Somente o empenho dos dirigentes europeus em chegar a um entendimento sobre um pacote de socorro para a Grécia já foi suficiente para diminuir a aversão ao risco dos aplicadores. Resultado: o Índice Bovespa fechou outubro com alta de 11,49%, aos 58.338 pontos - melhor mês desde abril de 2009, quando subiu 12,49%. E muitos acreditam que o acordo pode destravar o Ibovespa, abrindo caminho para um rali de fim de ano, dado que a bolsa estaria bastante depreciada. No ano, o índice ainda registra queda de 15,82% até ontem.

Ainda há aspectos do plano que precisam ser detalhados, mas houve uma clara demonstração dos líderes europeus de que eles querem apagar o incêndio na Grécia e socorrer o sistema financeiro, avalia Mauricio Pedrosa, sócio da Queluz Asset Management. "Saiu do palco o cenário de 'default' (calote) descontrolado", diz. "O incêndio está sendo apagado, mas a água vai sair bem cara."

Pelo acordo, os credores dos papéis gregos aceitaram dar um desconto de 50% à dívida da Grécia. Além do pacote, um novo programa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), de até € 100 bilhões, será implementado até o fim do ano para os gregos. Foi criada ainda uma barreira de proteção anticontágio, com um acordo para multiplicar em até cinco vezes o poder financeiro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) para socorrer países e bancos em dificuldade.

Mas alguns pontos do acordo ainda precisam ser mais bem explicados. Por exemplo, como o capital do EFSF será multiplicado. Não está claro quem serão os colaboradores e o papel da China nisso. Tampouco se sabe como funcionará o socorro feito pelo fundo aos países e bancos em dificuldade.

Até por conta de todas essas dúvidas, ainda haverá muita volatilidade, mas num nível um pouco menor, dado que o evento de crise descontrolada saiu do radar, avalia Pedrosa, da Queluz. "Se, na costura de esse pacote, algum detalhe vier ruim, é possível que a bolsa devolva uma parte dos ganhos vistos em outubro", diz ele.

Alguns pontos do pacote estão faltando e ele, certamente, não resolverá todos os problemas da Europa no longo prazo, ressalta Bob Doll, estrategista-chefe de ações da BlackRock, em relatório. "O acordo da dívida europeia, no entanto, é um marco significativo e ajuda a remover alguns dos riscos que foram pesando sobre a economia global e dos mercados financeiros", diz.

Na visão de Doll, existem ainda algumas preocupações significativas no longo prazo sobre a estabilidade fiscal de vários países europeus, sobretudo tendo em conta que o crescimento econômico global europeu é provável que se mantenha fraco. "Mas a flexibilização dos riscos associados às questões europeias, juntamente com uma perspectiva mais otimista para a economia dos Estados Unidos, cria uma base mais sólida para os ativos de maior risco", avalia o executivo.

Diante da reversão de expectativas para a bolsa, é de se esperar um fluxo mais forte dos investidores externos para o mercado local, avalia Guilherme Horn, diretor da Órama Investimentos. Os números mostram que, em outubro, até o dia 27, o saldo do estrangeiro na bolsa estava positivo em R$ 129,775 milhões. No acumulado do ano, entretanto, o resultado ainda estava negativo em R$ 230,351 milhões. "A bolsa brasileira se mostra uma excelente opção para os investidores estrangeiros já que os ativos estão baratos", diz Horn. "E esse investidor deve voltar mais fortemente dado que o otimismo está um pouco maior."

Há uma melhora, mas que deve ser pontual, já que os problemas a serem resolvidos na Europa não são simples. É um processo de mais longo prazo, afirma Paulo Bittencourt, diretor-técnico da Apogeu Investimentos. Por isso, o executivo avalia que as ações de empresas boas pagadoras de dividendos ainda se mostram interessantes até que se tenha uma ideia mais clara do cenário.

Poderá acrescentar volatilidade aos ativos a votação sobre o orçamento dos EUA neste mês. Os deputados americanos têm até 23 de novembro para fechar um acordo sobre o tamanho de um programa para reduzir custos.

 

 

 

André Esteves, do BTG, propõe fusão entre Amil e Rede D'Or

Brasil Econômico   (redacao@brasileconomico.com.br)

 

 

Banco de André Esteves é um dos sócios da D'Or, operadora independente de hospitais e laboratórios com sede no Rio de Janeiro, a qual faturou cerca de R$ 2 bilhões em 2010.

O presidente do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que a Amil Participações, um dos maiores grupo de planos de saúde do país, e a Rede D'Or, operadora independente de hospitais e laboratórios com sede no Rio de Janeiro, ainda oferecem grande potencial de consolidação em uma só operação.

O BTG, que tem investido na participação em diversos ativos nos últimos anos é, desde o ano passado, um dos sócios da rede carioca, a qual faturou cerca de R$ 2 bilhões em 2010.

No entanto, a própria Rede D'Or afasta a possibilidade de fusão.

"A Rede D'Or esclarece que os processos de consolidação de empresas de medicina diagnóstica e de operadores de planos de saúde têm acontecido naturalmente. Já em relação aos hospitais, a legislação não permite este tipo de operação. Portanto, não é possível consolidar qualquer fusão entre uma operadora de plano de saúde e operadores de hospitais", declarou a companhia em comunicado.

 

 

 

Randon fecha compra da Folle e vai modernizar instalações

Por Júlia Pitthan | De Florianópolis

A Randon confirmou ontem a aquisição da Folle, de Chapecó (SC), para ampliar a capacidade de crescimento no setor de semirreboques frigorificados. O negócio prevê o aporte de R$ 100 milhões referentes à compra dos ativos, ampliação da capacidade e modernização da unidade.

Na semana passada, o Valor antecipou que a negociação estava próxima da conclusão. Hoje, a Randon toma posse da unidade em Chapecó que será batizada de Randon Brantech, em referência à produção de linha branca. A Folle tem capacidade mensal de 30 unidades e emprega 60 pessoas.

A Folle atua há quase 50 anos no mercado de transportes e há 35 no segmento de cargas frigorificadas. A empresa familiar foi fundada por Nilso Folle, que é o principal gestor do grupo e passará a integrar o conselho da Randon.

O projeto é transferir as linhas da Randon de Caxias do Sul para Chapecó em até cinco anos. Segundo Erino Tonon, diretor vice-presidente de Operações da companhia gaúcha, a capacidade atual é de 700 unidades por mês e há 140 pessoas trabalhando diretamente no segmento. Com o investimento, a previsão é atingir receita anual de R$ 350 milhões, produzir 1000 unidades por mês e empregar 400 pessoas em Santa Catarina.

No primeiro momento, a Randon trará as plataformas para a montagem das unidades de Caxias do Sul. Com o tempo, todo o processo será realizado em Chapecó.

De acordo com Tonon, a Randon chegou a perder participação de mercado no último ano diante da falta de capacidade de expansão física na sede. Com a transferência das linhas frigorificadas, haverá espaço para o crescimento das demais áreas de negócios em reboques e semirreboques.

O segmento de semirreboques frigoríficos representa entre 8% e 10% da Randon Implementos e Participações e 5% das vendas do grupo que agrega 10 empresas. Santa Catarina consome cerca de 30% deste volume.

Segundo estimativas da empresa, o mercado brasileiro consome anualmente cerca de 1,6 mil unidades frigorificadas. O volume oscila conforme o aquecimento do mercado de exportações de carne e está associado ao crescimento do poder de consumo nacional, avalia Tonon. De acordo com ele, há grande potencial para o mercado de acordo com o aumento da exigência dos consumidores pelo transporte de alimentos em condições de temperatura controlada.

Conforme o balanço mais recente da Randon Implementos e Participações, no acumulado de janeiro a setembro a receita líquida consolidada somou R$ 3,122 bilhões, com expansão de 16,3% na comparação anual. Nos nove meses do ano, a receita bruta avançou 17%, para R$ 4,779 bilhões.

 

 

Negociação entre BRF e Doux causa mal-estar no Cade

Por Juliano Basile | De Brasília

As negociações da BRF - Brasil Foods com a Doux Frangosul estão causando mal-estar no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça.

O órgão antitruste acredita que a BRF está dando sinais de que pretende expandir as suas aquisições, antes mesmo do cumprimento das medidas que foram impostas para a aprovação da compra da Sadia pela Perdigão, que deu origem à companhia.

O problema é que as medidas que foram acertadas pela BRF com o Cade envolvem justamente a venda de plantas e de outros ativos, como centrais de abates de animais, até março de 2012. A companhia estaria, portanto, fazendo um movimento contrário ao que foi determinado pelo órgão antitruste, pois está comprando novos ativos no momento em que deveria vendê-los.

As últimas consequências desse movimento podem ser a revisão do acordo que aprovou a compra da Sadia pela Perdigão. "Nós vamos ter que tomar providências necessárias no caso Doux", disse ao Valor o conselheiro Ricardo Ruiz, sem antecipar o que pretende fazer.

Primeiro, ele pretende pedir informações sobre as negociações da companhia para adquirir uma planta de suínos da Doux. "Estamos nos informando para saber o que está acontecendo", completou Ruiz. Em seguida, o conselheiro vai se reunir com os demais integrantes do Cade para decidir se há a necessidade de adotar medidas mais duras. No limite, o órgão pode concluir que a companhia não estaria cumprindo o Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) - nome técnico do acordo que foi assinado para a aprovação da compra da Sadia com condições a serem seguidas pela BRF.

Isso porque o TCD indica que o Cade concluiu que a BRF chegou a um limite de aquisições. Ela não poderia crescer através da compra de companhias concorrentes, ou mesmo de parte dessas empresas, como está ocorrendo nas negociações com a Doux. A BRF estaria autorizada a crescer através da expansão da sua atual capacidade produtiva. Ou seja, a empresa pode investir e ampliar a sua produção, mas não estaria autorizada a adquirir concorrentes, pois o órgão antitruste concluiu que, nesse ponto, ela chegou num limite.

Os conselheiros avaliam que há um problema adicional no processo de coleta de informações a respeito das negociações com a Doux: a BRF estaria passado informações num dia para o Cade e tomando atitudes um pouco diferentes no outro. Na terça-feira, integrantes da empresa estiveram no Cade para tranquilizar os conselheiros quanto a eventuais notícias de que estaria planejando adquirir concorrentes. A reunião funcionou como uma "bandeira branca", um sinal de que a companhia pretende cumprir as condições, sem melindrar o órgão antitruste.

Um dia depois, a empresa declarou que pretende comprar a planta de suínos da Doux, o que foi visto pelos conselheiros como a eventual eliminação de um concorrente.

Ao aprovar a compra da Sadia, em julho, o Cade concordou com a venda de um pacote de ativos equivalente a 730 mil toneladas de produtos para uma única companhia. O objetivo é o de aumentar o poder de um concorrente da BRF. Agora, a avaliação interna do órgão antitruste é a de que o TCD deu a indicação de que a empresa não poderia adquirir concorrentes ao menos até março, quando o pacote de ativos será vendido à concorrência.

 

 

 

Outubro foi bom, mas o que vem pela frente?

Por Eduardo Campos

Na Europa, tudo certo, mas nada resolvido. No entanto, isso não foi determinante para o comportamento dos mercados ao longo de outubro. O último pregão do mês foi negativo, mas isso não tirou o brilho do período.

Seja por esgotamento de venda, retomada técnica ou crença de que as coisas vão mesmo melhorar, o fato é que as bolsas dispararam, assim com o preço do petróleo. O que caiu foi a volatilidade e o preço do dólar. Sim, sempre existem dias bons em meio a crises.

O S&P 500 teve alta de 11%, o que fez de outubro o melhor mês desde dezembro de 1991. O Ibovespa ganhou 11,5%, maior alta mensal desde maio de 2009. E o petróleo do tipo WTI saltou 18% no mês que ficou para traz.

UE terá dificuldades em ampliar fundo de estabilidade

Na mão inversa, o dólar comercial perdeu 9,46%, maior queda mensal desde maio de 2009 (veja gráfico abaixo). E o VIX, que mede a volatilidade das opções no mercado americano é visto como um termômetro do medo do mercado, tombou mais de 30%, voltando à linha dos 30 pontos.

Mas tamanha exuberância irracional deu sinal de fraqueza na segunda-feira. Ainda é cedo para taxar de mera realização de lucros ou volta à realidade. Conforme notou o diretor de tesouraria do Banco Prosper, Jorge Knauer, analisando friamente o noticiário, faltam motivos para tamanho rali no preço dos ativos.

Da Europa vieram sinais de que a meia vida do remédio europeu pode ser de apenas 48 horas. A Itália voltou a pagar mais de 6% para financiar seu endividamento com papéis de 10 anos. Ou seja, mesmo com as ações e promessas de suporte, os agentes não querem rever seu preço.

Outra notícia da região soma ainda mais dúvidas sobre o plano para ampliação do Fundo de Estabilidade Financeira Europeu (EFSF, na sigla em inglês). O "Financial Times" trouxe interessante história sobre o uso do fundo para financiar o plano de resgate à Irlanda.

A ideia era emitir € 5 bilhões em papéis de 15 anos. Nada feito. Antevendo falta de demanda pelos títulos, a oferta caiu pra € 3 bilhões e o prazo foi reduzido para 10 anos. A publicação também chama atenção para a taxa, de 3,3%, acima dos 2,6% registrados em setembro por papéis de mesma maturidade do EFSF.

Agora, como que os líderes europeus esperam levantar 1 trilhão de euros ou mais para capitalizar o fundo se mal conseguem obter € 5 bilhões? Haja boa vontade da China e outros possíveis investidores em carregar esse risco.

No câmbio, o euro amargou uma queda de mais de 2% no pregão de ontem, saindo da linha de US$ 1,41 para US$ 1,38. A venda da moeda comum ganhou corpo no fim do dia e fez estragos por aqui.

Quem captou essa baixa do euro foi o dólar futuro. O contrato para dezembro, referência de mercado, subia 2,66%, para R$ 1,731 antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

O mercado à vista escapou dessa rodada final de deterioração. Mas o dia foi dos compradores aqui e no mundo todo. A moeda americana subiu 1,18% e fechou a R$ 1,704 na venda, máxima do dia. Como o preço ficou descolado da cotação futura é possível que se veja um repique de alta na cotação na abertura do pregão desta terça-feira.

No mercado de juros futuros, o pregão foi morno, mas o viés de baixa prevaleceu entre os contratos mais longos. E o aumento das posições vendidas pode ganhar novo impulso dependo do resultado da produção industrial de setembro, que será conhecida agora pela manhã. A Gradual Investimentos trabalha com retração de 0,2% no comparativo mensal.

Ainda ontem, o presidente do Banco Central (BC) Alexandre Tombini, acenou que o plano de voo da autoridade monetária segue válido mesmo com a melhora recente de percepção com relação à Europa. Ou seja, os cortes moderados da Selic são condizentes com o cumprimento da meta de inflação em 2012.

"Vivemos num cenário de pessimismo e volatilidade. Os anúncios dos líderes europeus são promissores e causaram certa acomodação no mercado neste momento, mas a saída de crises de endividamento é demorada e há uma nítida percepção de esgotamento do grau de manobra das políticas fiscal e monetária, instrumentos que não podem mais ser ativados com a serenidade e a intensidade de 2008", disse Tombini em palestra proferida na Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), em São Paulo.

Eduardo Campos é repórter

E-mail eduardo.campos@valor.com.br

 

 

 

Recuo de 0,4% do ICI de outubro é até positivo, diz FGV

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS - Agencia Estado

SÃO PAULO - Considerando as quedas de meses anteriores, em torno de 2%, o recuo de 0,4% do Índice de Confiança da Indústria (ICI) em outubro foi considerado um resultado até positivo pelo coordenador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Sondagem da Indústria, Aloisio Campelo. O levantamento, realizado entre os dias 3 e 27 de outubro e que ouviu 1.243 empresários e executivos da indústria, foi anunciado ontem. "O resultado de agora não é tão desesperador", disse Campelo. De acordo com ele, o cenário externo ainda suscita dúvidas, mas as reduções dos juros em agosto e agora em outubro pelo Banco Central (BC), associadas a uma taxa de câmbio um pouco melhor, contribuíram para reduzir um pouco o grau de pessimismo da indústria.

Campelo atribuiu também a redução do ritmo de queda da confiança da indústria aos impactos de medidas adotadas pelo governo no âmbito do Programa Brasil Maior, lançado em 2 de agosto, como as de caráter de combate à concorrência desleal de produtos importados (antidumping) e desoneração da folha de pagamentos de alguns setores da indústria.

A sondagem, de acordo com Campelo, não capturou, porém, os prováveis impactos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que no último dia 20 adiou para 15 de dezembro a entrada em vigor da elevação de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos com menos de 65% de componentes nacionais.

Campelo atribuiu ainda o resultado da confiança da indústria ao ligeiro aumento de 0,2% no Índice de Expectativas (IE) em outubro em relação a setembro, que no confronto com agosto havia caído 2,6%. O nível de estoques acumulados caiu 0,7% em outubro ante um aumento de 0,1% em setembro em relação a agosto. Dos 14 setores da indústria consultados na sondagem, cinco afirmaram que estão com estoques altos, um estável e oito em queda. "Mais da metade do ajuste de estoques já foi feito", disse Campelo. Agora, com a melhora das vendas no final do ano, ele acredita que a indústria tem grandes chances de concluir o processo de ajuste de seus estoques.

A produção prevista para os próximos três meses apresentou na sondagem de outubro elevação de 0,9% ante queda de 0,2% no levantamento realizado em setembro. Com isso, o emprego previsto saiu de uma queda de 5,1% em setembro para uma queda de 0,2% em outubro. Dos 14 setores pesquisados, nove esperam contratar nos próximos três meses e cinco pretendem reduzir o quadro de funcionários. "Está havendo uma concentração maior entre os que esperam nível de emprego maior", afirmou o coordenador da FGV.

Para os próximos seis meses, a expectativa da indústria em relação aos negócios saiu de uma queda de 2,6% em setembro em relação a agosto para uma quase estabilidade (-0,10%) em outubro sobre setembro. Os dados, de acordo com Campelo, não são conclusivos ainda, mas ele acredita que o Natal deste ano será bom - não como em 2010 -, com a indústria produzindo para atender à demanda, mas em menor ritmo para concluir o processo de ajuste dos estoques.

Em outubro, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada da indústria (Nuci) manteve-se basicamente estável, em 83,5%, ante 83,6% em setembro, mas acima da média histórica de 83,3%. A média histórica da FGV para a sondagem industrial é considerada a partir de 2003.

 

 

 

31/10/2011

Falhas de segurança na OSX-1

 

 

Autor(es): Mariana Durão

O Globo - 29/10/2011

 

Exigências de peritos podem atrasar produção da 1ª plataforma de Eike

 O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) identificou irregularidades no OSX-1, primeiro navio-plataforma da OSX, braço naval do conglomerado de Eike Batista. Construída em Cingapura, a unidade afretada pela OGX, petroleira do grupo, chegou ao Porto do Rio no dia 6 e tem seu início de produção na Bacia de Campos previsto até dezembro. A plataforma, no entanto, não poderá operar até sanar as falhas de segurança e saúde do trabalho apontadas em inspeção prévia realizada na última quinta-feira por uma equipe de auditores e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

Entre os problemas listados estão instalações elétricas e andaimes inadequados, equipamentos de proteção individual (EPI) sem certificado, falta de segurança em espaços confinados, falhas no sistema de combate a incêndio e gás e falta de treinamento para operação da caldeira.

Segundo a procuradora do Trabalho Flávia Veiga Bauler, que acompanhou a fiscalização, os ajustes são essenciais para garantir a integridade dos 80 trabalhadores que vão tripular a plataforma. No início de novembro, o MPT convocará uma audiência com representantes da OSX para propor a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). A ideia é criar compromissos relativos à segurança permanente do equipamento.

Procurada, a OSX, em nota, informou que o OSX-1 está em fase final de testes no Rio, onde passa por inspeções de diversos órgãos públicos. Segundo a empresa, as exigências do Ministério do Trabalho estão previstas no cronograma que atenderá plenamente as condições legais de segurança e de saúde de sua tripulação.

Primeira de 48 plataformas a serem contratadas pela OGX até 2019, a OSX-1 custou US$610 milhões. Com capacidade de armazenamento de até 900 mil barris e de produção de até 60 mil barris de óleo diários, ela atuará no campo de Waimea, no bloco BM-C-41 da Bacia de Campos, por 20 anos. A carteira de encomendas da OGX à OSX, do mesmo grupo, já supera os US$4,8 bilhões.

 

 

 

 

Ativos do JPMorgan no Brasil crescem 40% em dois meses

Os ativos da subsidiária brasileira do banco americano subiram de R$ 16,2 bilhões em 30 de junho para R$ 22,5 bilhões em 31 de agosto

 

Cerca de 4% dos R$ 22,5 bilhões são empréstimos para empresas brasileiras e a maior parte do restante está investido em títulos públicos

São Paulo - As compras de títulos do Tesouro brasileiro pelo JPMorgan Chase & Co. contribuíram para que os ativos do banco no País subissem 40 por cento num perído de dois meses.

Os ativos da subsidiária brasileira do banco americano subiram de R$ 16,2 bilhões em 30 de junho para R$ 22,5 bilhões em 31 de agosto, disse Claudio Berquo, presidente do banco no Brasil, em uma entrevista em São Paulo. Cerca de 4 por cento dos R$ 22,5 bilhões são empréstimos para empresas brasileiras e a maior parte do restante está investido em títulos públicos, disse o diretor financeiro Cristiano Almeida.

A política do Federal Reserve de manter a sua taxa básica de juros próxima de zero está estimulando investimentos fora dos Estados Unidos, disse Richard Bove, um analista de bancos na Rochdale Securities LLC. Os títulos do governo brasileiro no mercado interno deram um retorno de 14 por cento nos últimos 12 meses, em comparação com 7 por cento de retorno médio do índice do JPMorgan de governos de mercados emergentes em moeda local.

“Nós estamos tendo um ano maravilhoso no Brasil, melhor do que o planejado”, disse Berquo, de 50 anos.

A compra de títulos do Tesouro brasileiro ajudou o banco com sede em Nova York a elevar em 46 por cento os lucros no Brasil nos oito primeiros meses do ano. O lucro da subsidiária no período subiu para R$ 94,5 milhões, mesmo após o aumento de despesas para expandir seus negócios no maior economia da América Latina, afirmou Almeida.

Goldman Sachs

O Goldman Sachs Group Inc. e o Citigroup Inc. também decidiram aumentar os investimentos no Brasil. O Goldman Sachs, baseado em Nova York, disse neste ano que o Brasil era um dos três países, junto com a China e Índia, nos quais o grupo concentrará novas contratações. O Citigroup, também baseado em Nova York, contratou apenas em março mais de 340 funcionários.

“Os bancos americanos têm de ir encontrar crescimento em algum lugar e eles não vão encontrar nos Estados Unidos se a economia continuar a patinar nos níveis atuais”, disse Bove, cuja companhia está baseada em Lutz, na Flórida.

Os empréstimos para as companhias brasileiras representam apenas uma pequena fatia dos ativos do JPMorgan no país, pois o banco só começou agora a oferecer crédito em reais no mercado interno, disse Berquo. Os empréstimos em dólar vão continuar a representar a maior parte dos empréstimos concedidos pelo banco para as empresas brasileiros, e esses ativos, que Berquo não quis quantificar, são contabilizados em Nova York.

300 maiores

A unidade brasileira do JPMorgan tinha uma carteira de empréstimos de R$ 952,9 milhões no dia 11 de setembro, cerca de duas vezes mais do que no final de dezembro de 2009, disse Berquo, acrescentando que a estratégia do banco é ter entre seus clientes as 300 maiores empresas do Brasil que tem faturamento anual acima de R$ 1 bilhões.

“Nós já estamos fazendo negócios com metade dessas empresas, mas ainda temos muito espaço para crescer”, ele disse.

A crise de dívida na Europa vai restringir o volume de crédito disponível em bancos internacionais, disse Berquo. “Vários bancos aqui estabelecidos vão cortar crédito para os bancos ou diretamente para os clientes, e os spreads vão subir” e essa pode ser uma oportunidade para o JPMorgan ganhar mercado, disse ele.

Como parte desse esforço o JPMorgan trouxe cerca de R$ 923 milhões em capital para o Brasil em setembro e pode trazer mais se for necessário, disse Berquo.

O JPMorgan era o vigésimo terceiro maior banco do Brasil em capital em 30 de junho, com R$ 1,7 bilhão em patrimônio líquido, segundo os dados do Banco Central. O Itau Unibanco Holding SA, o maior, tinha patrimônio líquido de R$ 67,2 bilhões.

Grande banco de crédito

“Nós queremos financiar os maiores projetos de óleo e gás, os projetos de infraestrutura, nós queremos ser um grande banco de crédito no Brasil”, disse Berquo, acrescentando que linhas de financiamento ao comércio exterior e pré-pagamentos à exportação são também prioridades para o banco.

“Mas nós também estamos planejando iniciar a nossa participação no mercado local de títulos, como debêntures e notas promissórias, que está aberto neste momento e é mais atrativo do que os mercados internacionais”, ele disse.

O JPMorgan contratou Ricardo Leoni, que estava no Santander, para dirigir a area de renda fixa no Brasil e planeja mais contratações depois do fim da temporada de bônus, em fevereiro, Berquo disse. O JPMorgan mais do que dobrou o total de funcionários no Brasil, de 339 pessoas para 750, desde que o brasileiro Berquo voltou de New York para dirigir a subsidiária brasileira no final de 2009.

O banco também está construindo uma área de gestão de recursos de terceiros para atender a grandes corporações e investidores institucionais e tem 40 pessoas dedicadas ao negócio até agora.

Aquisição

No ano passado, o JPMorgan comprou o Gávea Investimentos Ltda., a empresa de gestão de recursos fundada pelo ex- presidente do Banco Central Armínio Fraga, por um valor não revelado. O banco tem um braço de private equity chamado One Equity Partners que investe o capital próprio do JPMorgan, dirigido por Veronica Serra, filha do candidato a presidência da República em 2010 José Serra, que perdeu a eleição para a Presidente Dilma Rousseff.

“Nós vamos continuar crescendo no negócio de gestão de recursos de terceiro, em private e corporate banking”, disse Berquo, acrescentando que o plano é de atingir 1.000 empregados no final de 2014.