28/10/2011

Maior risco para Santander é Espanha, diz J.P. Morgan

Por Carolina Oms e Carolina Mandl | De São Paulo

O banco espanhol Santander disse ontem que planeja exceder as exigências de capital dos líderes da região em um ponto percentual até junho de 2012, mas não detalhou como o fará. Pela regra de Basileia 3, o capital de nível 1 está em 8,12%, sendo que precisará alcançar 9%. O banco quer atingir isso com geração interna de capital.

Teste de estresse feito pelo J.P. Morgan, mais rigoroso que o oficial, concluiu que a matriz do Santander terá um déficit de capital de € 3 bilhões em um cenário que inclui uma perda de 33% nos empréstimos, um corte de 10% nos títulos da dívida espanhola e o impacto de Basileia 3. O relatório chama-se "Santander e BBVA: não apenas espanhóis, mas sofrendo por isso".

Para os autores, o principal risco para o banco está na Espanha, principalmente na carteira imobiliária, que tem sido responsável pela maior parte do problema espanhol desde 2007 e que, no caso do Santander, soma € 27 bilhões.

De um total de € 230 bilhões em empréstimos na Espanha, € 30 bilhões são considerados "problemáticos", o que inclui créditos provisionados, ativos imobiliários recomprados, empréstimos de segunda linha e perdas contábeis. Isso é pouco mais de 10% da carteira total, mas deve aumentar mais em 2013, quando os empréstimos provisionados devem atingir seu pico. O cenário também considera 100% de default para os créditos imobiliários provisionados.

Para Jaime Becerril, Kian Abouhossein e Axel Finsterbusch, autores do relatório, a falta de reconhecimento das perdas futuras é o principal obstáculo para o banco. Os analistas afirmam que a limpeza do balanço é "necessária e desejável", levando as provisões a níveis mais "realistas".

No Brasil, o receio entre investidores é que a seriedade da situação na Espanha respingue na subsidiária. O Santander afirma ter um modelo de subsidiárias autônomas. A preocupação de analistas é que o banco coloque o pé no freio no Brasil, mantendo o nível de capital elevado na subsidiária, o que acabaria ajudando a matriz.

Marcial Portela, presidente do Santander Brasil, nega esse movimento. "Não temos nenhuma restrição para crescer no país", disse ontem durante apresentação dos resultados do terceiro trimestre, quando a carteira de crédito do banco cresceu 8%, o ritmo mais acelerado desde 2008.

Ceres Prado, analista de bancos da agência de risco Moody's, acrescenta outros dois motivos para que a carteira do banco esteja crescendo abaixo de seu potencial. O banco demorou muito para realizar a sinergia com o ABN Amro e perdeu o passo na concessão de crédito. "O banco trouxe inúmeros executivos da Espanha que ainda não conhecem tão bem o mercado e estão contaminados pelo clima de crise na Europa".

Um executivo que já saiu do banco relata, por exemplo, que três vezes por semana executivos do Brasil precisam levar ao comitê de crédito na Espanha as operações em andamento para receber aprovação. "Por causa da crise, os espanhóis estão bem mais cautelosos. Com isso, o banco pode perder clientes para a concorrência", diz.

Responsável por 25% do lucro do grupo, o Brasil tem dado uma contribuição importante para a matriz. O banco, controlado pelo grupo espanhol, já distribui 50% do lucro aos acionista (em IFRS), mais do que os 35% ou 40% que os brasileiros costumam pagar. A recente venda de 51% das operações de seguro no Brasil e na Argentina para a Zurich também renderá bons dividendos à matriz. A operação foi fechada por R$ 2,7 bilhões.

 

 

 

Recapitalização de bancos pode ser menor

Por Sarah White | Reuters

Os bancos da União Europeia precisarão captar € 106 bilhões de (US$ 146 bilhões) em capital adicional até o fim de junho de 2012. A Autoridade Bancária Europeia (EBA, pelas iniciais em inglês) disse que os bancos têm de formar reservas de segurança temporárias de capital contra exposições aos títulos soberanos e precisam deter um índice de capitalização de nível 1 de 9%. O montante definitivo de capital novo que necessita ser efetivamente captado poderá corresponder, porém, a um valor inferior ao fixado pela EBA, uma vez que alguns deles podem já estar cobertos pelos programas de ajuda atualmente em vigor.

Na Grécia, o total adicional equivale a € 30 bilhões. Há uma linha de crédito de respaldo de € 30 bilhões já em vigor para ajudar nas necessidades de capital dos bancos gregos, conforme o previsto pelo programa de ajuda da UE/Fundo Monetário Internacional. O Attica Bank disse que suas reservas de segurança de capital já estão suficientemente grandes para suportar as planejadas perdas com bônus gregos. O estatal ATEbank disse que os bancos gregos poderão ter de tomar medidas como a venda de subsidiárias.

Na Espanha, o total das necessidades, segundo o EBA é de € 26,1 bilhões. O governo disse que seus bancos não precisarão de recursos públicos. Os bônus conversíveis também serão considerados pela EBA, medida cuja inclusão a Espanha pressionou. Isso reduzirá a conta para a Espanha em cerca de € 9 bilhões, disse a ministra da Economia, Elena Salgado, em entrevista a uma rádio ontem. O Santander precisaria de € 15 bilhões, mas esse total não inclui os € 8,5 bilhões em bônus conversíveis. Quando eles são incluídos, o déficit de capital chega a € 6,5 bilhões. O maior banco espanhol diz que não precisará de um aumento de capital nem reduzir os dividendos. Pretende alcançar um índice de capitalização de 10% até junho de 2012, em relação ao de 9,42% com que contava no fim do terceiro trimestre.

Já o BBVA necessitaria € 7,1 bilhões. Desse montante, € 1,9 bilhão referem-se a risco soberano. O banco diz que conseguirá gerar suficiente capital internamente para atender às exigências e que terá capacidade para manter os dividendos. O Banco Popular precisa de € 2,4 bilhões. Pode levantar capital "organicamente" e por meio de bônus conversíveis já existentes. O BFA, o grupo mantenedor do Bankia, recém-registrado em bolsa necessita € 1,14 bilhão. Diz não precisar de recursos públicos. O grupo La Caixa, por sua vez, necessita de € 602 milhões. Diz que consegue gerar capital organicamente.

Na Itália, o total das necessidades chega a €14,7 bilhões. O maior volume caberia ao UniCredit, € 7,4 bilhões. O banco disse que, se considerarem os ativos disponíveis no cálculo do índice de capitalização de nível 1, a cifra cairá para € 4,4 bilhões. Seu principal executivo qualificou o déficit como administrável, mas preferiu não comentar sobre o valor total ou a data de realização de um possível aumento de capital. A Banca Monte dei Paschi di Siena necessita € 3,09 bilhões. O banco disse que essa soma não leva em consideração à pretendida conversão de títulos.

Na França, o total das necessidades segundo o EBA chega a € 8,8 bilhões. Os bancos afetados disseram que não precisarão de ajuda governamental e que vão levantar recursos por meio da retenção de lucros. O governo disse que não intervirá e que os bancos têm de reduzir os dividendos e os bônus para alcançar suas metas. O BPCE (da Natixis não registrada em bolsa) precisa de € 3,4 bilhões, o Société Générale de € 3,3 bilhões. Disse que atenderá aos requisitos "com recursos próprios". O BNP Paribas, que teria que levantar € 2,1 bilhões, descartou a necessidade de captar capital no mercado.

Em Portugal, total das necessidades é de €7,8 bilhões. Os bancos se concentrarão na desalavancagem, mas podem recorrer a uma linha de crédito de € 12 bilhões reservada para os bancos, conforme previsto no pacote de socorro financeiro UE/FMI. Desses € 7,8 bilhões, os bancos já tiveram de levantar € 3,4 bilhões, conforme previsto no acordo de salvamento financeiro pactuado por Portugal em maio. O Millennium BCP precisa de € 2,4 bilhões. Desse total, ainda tem de levantar € 1,75 bilhão. Já captou € 600 milhões este ano, por meio de uma oferta de troca por ações preferenciais. A conta para a Caixa Geral de Depósitos é de € 2,24 bilhões. O banco estatal disse que continuará a levantar capital, mas não especificou de que maneira. O BPI precisa de € 1,7 bilhão e o Banco Espírito Santo € 1,5 bilhão. Desse total, ainda não captou € 687 milhões. O banco disse no início do mês que pretendia captar € 791 milhões por meio de uma oferta de troca de dívida por ações. Disse esta semana que continuará a operação de desalavancagem e examinará alternativas de mercado.

Na Alemanha, o total das necessidades chega a € 5,2 bilhões. A maior fatia cabe ao Commerzbank, € 2,9 bilhões. Disse que poderá alcançar o índice necessário por meio de uma redução dos ativos ponderados por risco, da venda de ativos não estratégicos ou da retenção de lucros. O banco disse não pretender fazer uso de recursos públicos. O NordLB disse que aumentará seu capital em € 660 milhões, e que não precisará de ajuda governamental. Ao LBBW a parcela é de € 364 milhões. No Chipre, a soma chega a € 3,6 bilhões, segundo o EBA. O Bank of Cyprus precisa de € 1,5 bilhão, enquanto o Marfin Popular Bank precisa de € 2,1 bilhões. Disse que a quantia é preliminar e sujeita a alterações.

 

 

 

Pacote europeu carece de detalhes

Por Ulrike Dauer e Brendan Conway | The Wall Street Journal, de Berlim

El-Erian, da Pimco: "Desafio da implementação maior que o da concepção"

O mais recente plano europeu para controlar a crise da dívida revigorou os mercados financeiros globais, embora ainda não se saiba como o plano vai funcionar, quando será implementado e se seu alcance é suficiente.

Líderes europeus, reunidos em Bruxelas na madrugada de quinta-feira negociaram um amplo pacote de medidas para reorganizar seu fundo de resgate, recapitalizar os bancos do continente e reduzir a dívida da Grécia.

O acordo marca a mais ousada tentativa dos líderes europeus para controlar a crise, que já leva dois anos, e os investidores comemoraram a notícia, não dando importância à falta de detalhes do plano.

O euro subiu mais de 2% para US$ 1,4248, seu ponto mais alto desde o início de setembro.

Como parte do acordo para resolver a crise da dívida da zona do euro, os investidores privados aceitarão voluntariamente uma perda de 50% nos títulos soberanos gregos. Além disso, o poder de fogo do fundo de resgate da zona do euro será aumentado para cerca de US$ 1,4 trilhão e a Grécia vai se esforçar para reduzir a sua dívida para 120% do PIB até 2020.

"Tudo isso está vindo da Europa, esperemos que com a concretização de um acordo", disse Stephen J. Carl, diretor e chefe das operações de capital do Williams Capital Group.

"Não tenho certeza se já estamos fora de perigo, com outros problemas que podem surgir no exterior. Ainda há muito para se ver", acrescentou.

Com o novo plano da crise europeia, a dívida nocional da Grécia será reduzida em 50%, com os credores privados aceitando uma depreciação "voluntária". Os maiores bancos da Europa, que vêm enfrentando dúvidas sobre sua estabilidade, serão obrigados a aumentar seu capital de base em 9% para protegê-los contra a moratória de um país como a Grécia. Os líderes também concordaram em permitir que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o fundo de resgate da zona do euro, de € 440 bilhões, tenha permissão de alavancar seus ativos quase três vezes, tornando-se a primeira linha de defesa contra o contágio.

Além dessas linhas gerais, porém, os líderes ofereceram poucos detalhes concretos, sinalizando que levarão semanas, se não meses, para elaborar os pormenores.

"O desafio de implementação é tão grande ou maior do que o desafio da concepção", disse Mohamed El-Erian, diretor-presidente da Pimco, o maior investidor mundial em títulos de dívida.

Além dos desafios apresentados pelo próprio pacote de resgate, a Europa também terá de buscar reformas estruturais politicamente complicadas para impulsionar o crescimento, bem como uma maior consolidação política e fiscal na zona do euro, disse El-Erian.

Economistas, por sua vez, louvaram o fortalecimento do fundo de resgate, mas questionaram se essas medidas conseguirão deter a contaminação da dívida para países maiores da zona da moeda única.

O FEEF terá duas maneiras de aplicar seus ativos. Uma parte do plano envolve garantir parcialmente novos papéis de dívida emitidos por países do bloco que teriam dificuldade em acessar os mercados financeiros por conta própria. Esse seria o caso se um país se tornar o foco de especulações baixistas, assustando os investidores. O seguro do FEEF pode ajudar a restaurar a confiança dos investidores, permitindo que um país ameaçado permaneça no mercado.

O segundo modelo inclui a criação de um veículo de investimento que permita a investidores privados e países com caixa gordo, como a China, a investir no fundo do FEEF de compra de títulos, aumentando o volume de dinheiro que o fundo pode aplicar.

"O volume do FEEF é apenas um aspecto de um pacote completo. Se os políticos acham que um simples aumento do tamanho deveria bastar, eles nunca vão vencer essa corrida", disse o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer. "O poder de fogo suficiente só pode ser eficaz se um país também fizer reformas de uma forma crível. Isso porque os mercados não acreditam que os países doadores vão se ater permanentemente aos compromissos que deram aos países beneficiários sem que estes façam reformas estruturais."

Nos últimos meses os investidores vêm se preocupando em especial com a Itália, a terceira maior economia da zona do euro. Roma vem sofrendo críticas por não realizar reformas estruturais nem enfrentar de forma decisiva sua dívida de € 1,9 trilhão.

A França e a Alemanha têm pressionado a Itália para reduzir sua enorme dívida pública e controlar o seu déficit, mas suas exigências vêm enfrentando resistência em Roma.

"Se o mercado perceber que a Itália é um grande problema, não tenho certeza se o FEEF poderá resolvê-lo", disse Rym Ayadi, pesquisador sênior e chefe da unidade de instituições financeiras e políticas prudenciais do Centro de Estudos de Política Europeia, em Bruxelas.

(Colaborou William Horobin)

 

 

 

Whirlpool vê lucro dobrar no tri, mas derruba estimativa para o ano

Por Luciana Seabra | Valor

SÃO PAULO - A Whirlpool, detentora das marcas Brastemp e Consul, fechou o terceiro trimestre do ano com lucro líquido de US$ 177 milhões. O valor é 2,24 vezes os US$ 79 milhões obtidos no mesmo período de 2010. O ganho diluído por ação cresceu de US$ 1,02 para US$ 2,27.

O lucro operacional da fabricante de eletrodomésticos caiu 42%, para US$ 136 milhões. As vendas líquidas recuaram 2,38%, para R$ 4,52 bilhões, na mesma base de comparação.

“Durante o trimestre, nós sentimos a demanda da indústria mundial mais fraca do que a esperada e elevados custos de matéria-prima”, disse o presidente da empresa, Jeff Fettig.

As vendas na América do norte recuaram 2%, na Europa, Oriente Médio e África cresceram 6% e na Ásia avançaram 10%.

Na América Latina, a alta foi de 8%, para US$ 1,2 bilhão, sendo que o crescimento cai para 1% quando excluído o efeito cambial. A empresa considerou que o custo de matéria-prima subiu na região, enquanto a demanda industrial perdeu força.

No relatório com os resultados do trimestre, a empresa fez referência a “níveis de demanda de recessão nos países desenvolvidos” e “desaceleração nos mercados emergentes”.

Diante dos resultados, a empresa revisou a previsão de ganhos por ação da faixa de US$ 7,25 a US$ 8,25 para US$ 4,75 a US$ 5,25.

(Luciana Seabra | Valor)

 

 

 

OSX reverte prejuízo e lucra R$ 33,28 milhões no 3º trimestre

 

Por Ana Luísa Westphalen | Valor

SÃO PAULO - A OSX, empresa do grupo EBX dedicada ao setor de equipamentos e serviços para a indústria offshore de óleo e gás, registrou  lucro líquido de R$ 33,28 milhões no terceiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 49,22 milhões apurado no mesmo período do ano passado. O resultado da companhia do empresário Eike Batista é basicamente fruto dos ganhos financeiros obtidos no período.

Conforme balanço divulgado na noite de ontem, as receitas financeiras da empresa somaram R$ 478,64 milhões no trimestre, com ganhos com instrumentos derivativos no montante de R$ 51,8 milhões. Sem contar o ganho financeiro e tributos, a empresa apurou resultado negativo de R$ 38 milhões.

No lado operacional, as receitas de vendas de bens e serviços somaram R$ 29,2 milhões, fruto do contrato de operação e manutenção da plataforma OSX-1. O montante, no entanto, foi reduzido de custos que totalizaram R$ 25 milhões.

Em julho, a companhia iniciou as obras da unidade de construção naval do Açu, em São João da Barra, no Estado do Rio de Janeiro. A conclusão das obras do estaleiro está prevista para o primeiro semestre de 2014. Também durante o terceiro trimestre foi inaugurada a frota de unidades de produção offshore da empresa, com a chegada da plataforma OSX-1, que produzirá o primeiro óleo da OGX, empresa de petróleo e gás do grupo.

Ao fim de setembro, o caixa da companhia e de suas controladas totalizava R$ 1,6 bilhão, enquanto o endividamento consolidado chegava a R$ 903,8 milhões.

Nesta semana, a OSX obteve um financiamento no valor de US$ 850 milhões que será destinado à construção e instalação da unidade de produção, armazenamento e descarga de óleo e gás FPSO OSX2. O montante será captado por um conjunto de bancos internacionais liderado pelo ING, Itaú BBA e Santander.

(Ana Luísa Westphalen | Valor)

 

 

 

Vale diz que não vai cortar produção para conter preço

 

Autor(es): Por Vera Saavedra Durão | Do Rio

Valor Econômico - 28/10/2011

 

 

A Vale não vai cortar produção nem reduzir vendas, como fez em 2008, para conter a queda do preço do minério de ferro, seu principal produto. A informação é de Murilo Ferreira, presidente da companhia.

O executivo confirmou, durante conferência telefônica sobre o resultado do trimestre, que a Vale deve produzir 310 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano e 320 milhões em 2012.

Na análise de Ferreira, a instabilidade que toma conta do mercado de minério é devida à política de contenção de crédito na China, que tem levado as siderúrgicas a reduzir produção e desestocar minério por conta da crise de liquidez dos bancos e também do excesso de oferta do produto no mercado chinês por parte do Brasil e da Austrália, para compensar a retração de consumo das usinas europeias impactadas pela crise do euro.

Ontem, o preço no mercado à vista chinês continuou a trajetória de baixa e fechou em US$ 120 a tonelada. Esse valor era considerado piso no início do movimento de redução de preços, no começo do mês.

José Carlos Martins, diretor executivo de estratégia, marketing e vendas da Vale, admite a possibilidade de o preço cair um pouco mais. Alguns bancos apostam em um novo piso de US$ 115,00.

O Credit Suisse estima que a ação da companhia já embute um preço de US$ 70 para a tonelada do minério de ferro no mercado à vista chinês no curto prazo.

A incógnita fica por conta do preço médio real do minério no quarto trimestre, já que a Vale está em processo de negociação no mercado à vista com clientes chineses, como informou Martins.

Se a empresa fechar contratos para vendas no "spot", ou mesmo vender a preço médio trimestral real (no valor do "spot" do trimestre em curso), Martins arrisca estimar que o preço médio real do quarto trimestre pode baixar 10% a 15% em relação ao preço médio de US$ 175,63 a tonelada calculado para a fórmula tradicional da Vale. Nesse caso, a média do preço real poderia ficar entre US$ 149 a US$ 158 a tonelada, se o preço no mercado à vista não cair mais, pois ainda faltam dois meses para o trimestre fechar.

Martins adiantou que a Vale pode considerar e atender os pleitos de todos os clientes que estiverem dispostos a migrar para um avaliação de curto prazo, como o preço mensal ou o "spot" diário. Mas advertiu que uma vez acertada a mudança "não tem mais volta. E foi enfático: "A precificação à vista não pode valer só na queda, tem que valer também na subida [do preço]".

A Vale trabalha com um cenário otimista de recuperação do preço do minério. Ferreira e Martins esperam uma reviravolta na tendência de queda a partir de meados de novembro, já que o governo chinês prometeu nesta semana tomar medidas mais liberalizantes para o crédito. Também a oferta de minério pode sofrer redução devido a problemas climáticos na Austrália (ciclones), no Brasil (chuvas) e na China (fechamento de minas por conta do inverno chinês).

Para analistas, o que está em jogo nessa conjuntura é uma guerra das grandes mineradoras pela participação no mercado transoceânico de minério. Isso tem estimulado as empresas a despejar minério contratado na Europa para o mercado chinês.

O diretor executivo da Vale minimiza o fato ao informar que a Vale tem desviado entre dois a três navios de minério destinados à Europa para a China, algo como 600 mil toneladas. "Isso não é nada comparado a um mercado que consome 1 bilhão de toneladas de minério.

A seu ver, os preços no "spot" chinês estão mais impactados por oferta de "minério australiano do que brasileiro. Eles tiveram boa produção e estão ali perto".

Ontem, as ações da Vale subiram, acompanhando uma dia de recuperação nos mercados mundiais depois do anúncio do plano de salvamento europeu.

Em Nova York, o recibo de ações (ADR) atrelado aos papéis com direito a voto da companhia foi cotado a US$ 26,46, alta de 6,35%. Já o ADR preferencial fechou a US$ 24,56, alta de 5,95%. Na BM&FBovespa a ação ordinária fechou em R$ 44,81, alta de 2,70% e o papel preferencial PNA, em R$ 41,69, alta de 2,36%.

A Vale anunciou na quarta-feira um lucro de R$ 7,89 bilhões no trimestre, 25% abaixo em relação ao mesmo período do ano passado.

 

 

 

 

Daycoval anuncia aumento do lucro de 27,3% no terceiro trimestre desse ano

SÃO PAULO - Com um lucro líquido de R$ 95,7 milhões, o Banco Daycoval (DAYC4) anunciou nessa quinta-feira (27) os resultados do terceiro trimestre de 2011. A cifra marca uma variação positiva de 12,6% em relação ao montante observado em igual período de 2010 e um crescimento de 27,3% frente à performance do segundo trimestre deste ano.

"Atribuímos o bom resultado do trimestre principalmente ao forte crescimento da receita das operações de crédito, que vem evoluindo com o aumento da carteira. Na comparação com os últimos 12 meses, o lucro acumulado foi de R$214,3 milhões, 5,2% superior ao mesmo período de 2010", destacou o banco em relatório.

Operacional
O resultado de intermediação financeira somou R$ 213,4 milhões no trimestre, crescendo 81% na comparação com o igual período do ano passado e subindo 76,9% quando comparado com o resultado anterior. Os ativos totais atingiram R$ 11.502,4 milhões, expansão de 4,3% em relação ao trimestre anterior.

Já o RoAE (retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado) ficou em 22% para o período entre julho e setembro deste ano, com uma leve alta de 0,6 ponto percentual na base de comparação anual. Na base de comparação trimestral, o índice registrou crescimento mais expressivo, de 4,4 pontos percentuais.

Ao fim do trimestre, o Banco Daycoval contava com uma carteira de crédito de R$ 7,794 bilhões, um aumento de 40,5% frente o número reportado ao fim de outubro de 2010. Vale destacar que a carteira de crédito do banco também registrou aumento de 10,3% frente ao segundo trimestre deste ano.

"É importante mencionar que a carteira de crédito alcançou saldo de R$ 6.962,9 milhões, em linha com o total da captação de R$ 7.041,7 milhões, mantendo nosso modelo de gestão conservador que nos dá suporte para continuar crescendo de forma sustentável", afirmou a direção da companhia.

Já o índice de eficiência (despesa sobre receita) do banco foi de 30,8%, com um aumento de 2,9 pontos percentuais na comparação trimestral e 10,4 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2010. "Apesar do aumento das despesas administrativas e das despesas de pessoal, conseguimos manter um bom índice de eficiência próximo da nossa meta de 30%."

 

 

 

Petrobras ratifica descoberta de petróleo em áreas na Bacia do Espírito Santo

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3; PETR4) ratificou nessa quinta-feira (27) a descoberta de petróleo em dois blocos na Bacia do Espiríto Santo, esclarecendo matéria publicada na imprensa. A empresa também informou que está realizando as atividades exploratórias nos dois blocos, conforme programado no cronograma da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível).

A petrolífera afirma não ter obtido novas informações que suportam a definição do volume de matéria prima encontrado nos blocos. A empresa afirma que qualquer estimativa depende ainda do resultado de perfuração de poços, dos testes e da aquisição de novos dados sobre a região.

A operação dos blocos é garantida pela Petrobras, que possui 65% no BM-ES-23 e 60% no BM-ES-32. 

 

 

 

10 notícias para lidar com os mercados nesta sexta-feira

Eztec também quer a Gafisa; Petrobras diz que exploração de blocos está dentro do cronograma

 

Vale vai investir 20% menos que o previsto, segundo Murilo Ferreira

São Paulo - Aqui está o que você precisa saber:

1 - Foi um ‘erro’ admitir a Grécia no euro em 2001, diz Sarkozy. "Foi um erro porque a Grécia entrou com dados econômicos falsos. Ela não estava preparada", disse Sarkozy em uma aparição na televisão francesa menos de 24 horas depois de um acordo de líderes da zona do euro para solucionar a crise da dívida que afeta a região há um ano e meio e também para ancorar o sistema bancário.

2 - Chefe do EFSF descarta acordo rápido com China. O presidente-executivo do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, no entanto, disse que o país continuará comprando bônus emitidos pelo organismo.

3 - A Eztec também quer a Gafisa. A queda no preço das ações despertou o interesse de empresas e fundos de investimento. Em agosto, o grupo GP Investments, que já foi acionista da Gafisa, iniciou estudos para adquirir o controle da incorporadora, que tem ações pulverizadas na bolsa. Em outubro foi a vez da Eztec, considerada uma incorporadora de médio porte com gestão familiar, analisar a compra da concorrente.

4 - Índices europeus operam no azul com euforia após plano da UE. Os bancos franceses, que foram os mais abatidos por causa de sua forte exposição a países altamente endividados da zona do euro, eram destaque positivo neste pregão.

5 - Vale vai investir 20% menos que o previsto. O presidente da companhia, Murilo Ferreira, admitiu que os investimentos vão somar, no máximo, US$ 19 bilhões. Mas, diferentemente do que ocorreu em 2009, quando a Vale cortou investimentos para se ajustar à queda na demanda por insumos, desta vez o executivo atribui a revisão a atrasos no processo de licenciamento ambiental de alguns projetos.

6 - Petrobras diz que exploração de blocos está dentro do cronograma. Segundo a estatal, qualquer estimativa de volume para a região irá depender do resultado da perfuração de poços.

7 - Lucro da CSN sobe 49% no terceiro trimestre. A receita líquida da companhia cresceu 7% no último trimestre, para R$ 4,241 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado atingiu R$ 1,703 milhões no terceiro trimestre desse ano, queda de 8% ante os R$ 1,847 milhões apurados no mesmo período do ano passado.

8 - Cia Hering tem receita e lucro maiores no terceiro trimestre. O lucro líquido de julho a setembro foi de 63,7 milhões de reais. A média das estimativas de analistas obtidas pela Reuters apontava para ganho de 56,6 milhões de reais no período.

9 - Brasil Foods estima atingir R$ 1 bilhão em sinergias até 2013. Fusão entre Sadia e Perdigão vai gerar economias na ordem de R$ 560 milhões apenas neste ano. A BRF divulgou, ontem, um lucro líquido 73% maior no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. 

10 - Bolsas asiáticas sobem com acordo europeu; Hong Kong sobe 1,7%. As Bolsas da Ásia se mantiveram no campo positivo, estendendo os ganhos verificados na véspera. Os investidores decidiram reforçar as posições em ativos de risco, animados com o plano da União Europeia para resgatar a dívida da Grécia.

Bônus: Oi tem lucro menor no terceiro trimestre, mas acima das previsões. A empresa, que tem a Portugal Telecom entre os sócios, teve lucro de 426 milhões de reais de julho a setembro.

Bônus 2: Lucro da Lojas Renner cai para R$56,7 mi no terceiro trimestre. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que esperava um lucro líquido de 61,5 milhões de reais.

 

 

 

27/10/2011

Câmara aprova MP que desonera tributos para empresas

 

governo conseguiu manter a autorização para que o Fundo de Investimento do FGTS possa financiar obras de infraestrutura ligadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016

Iuri Dantas, da Agência Estado

BRASÍLIA - O governo conseguiu aprovar hoje, na Câmara, a medida provisória que desonera tributos para alguns setores da economia. A oposição tentou derrubar, mas acabou sendo derrotada e o governo conseguiu manter a autorização para que o Fundo de Investimento do FGTS possa financiar obras de infraestrutura ligadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016.


O texto que agora será votado pelo Senado cria uma experiência-piloto de desoneração da folha de pagamento dos setores de calçados, confecções, software, call centers, transporte coletivo urbano, couro, botões, ilhoses, colchetes e bolas infláveis. O experimento vai até 2014, dois anos a mais do que a proposta original do governo, e substitui a contribuição patronal sobre os salários por uma alíquota sobre o faturamento das empresas, que varia de 1,5% a 2,5%.

Os setores têxtil e mobiliário foram excluídos da versão aprovada pelos deputados, a pedido de industriais das áreas. Na avaliação de entidades representativas, a ideia do governo resultaria em pagamento de mais imposto no fim das contas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel), apenas duas empresas do setor recolheriam R$ 5 milhões anuais a mais se o setor fosse incluído na experiência.

Representantes da indústria e parlamentares tentaram negociar com o governo, mas não houve acordo para reduzir as alíquotas sobre o faturamento. Algumas empresas reclamam que pagariam mais porque já não utilizam tanta mão de obra como no passado.

O governo não se manifestou. No lançamento da política industrial, batizada de Plano Brasil Maior, a equipe econômica afirmou que a proposta foi discutida com os setores e que todos os participantes estariam satisfeitos. O plano inicial era desonerar têxteis, confecções, calçados, móveis e software.

 

 

 

PanAmericano teve R$ 100 mi desviados



Parte do dinheiro foi embolsada por executivos, e o restante, segundo a PF, virou caixa dois para campanhas políticas


Cifra desviada entre 2008 e 2010 representa só 2,3% do rombo de R$ 4,3 bi; executivos não comentam o caso

Fabiano Cerchiari - 16.set.05/"Valor"

Rafael Palladino, ex-presidente do Panamericano, hoje controlado pela Caixa e pelo Btg

JULIO WIZIACK
TONI SCIARRETTA
FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO

Os executivos do PanAmericano responsáveis pelo rombo de R$ 4,3 bilhões não desviaram mais que R$ 100 milhões -2,3% do valor total do rombo.
A maior parte do buraco n foi resultado do efeito "bola de neve" da má administração e das sucessivas fraudes com a venda de financiamentos para encobri-la.
Boa parte do dinheiro desviado foi embolsada pelos executivos e o restante virou caixa dois, que, entre diversos destinos, financiou campanhas políticas.
É o que mostra a troca de e-mails entre os principais executivos do banco interceptados pela Polícia Federal e também o resultado de uma auditoria interna feita no banco a pedido da nova direção do PanAmericano, que adotou a política de "tolerância zero" com os envolvidos para recuperar a credibilidade da instituição.
A cifra de R$ 100 milhões inclui o pagamento de bônus feitos pela empresa de cartão de crédito do PanAmericano aos executivos no período entre 2008 e 2010.
Também considera o pagamento de bônus pelo próprio banco -que fez os cálculos com base em resultados de desempenho "inflados"- e o pagamento de "consultorias" prestadas pelos mesmos executivos à instituição.
Para pagar menos imposto, esses dirigentes emitiram notas fiscais em nome de empresas que pertenciam a eles mesmos. Isso porque na pessoa jurídica se pagam 15% de Imposto de Renda sobre o valor total recebido, e, na pessoa física, 27,5%.
Os auditores e especialistas que vasculharam as contas do PanAmericano não sabem o que os executivos fizeram com esse dinheiro, considerado pouco perto do total do rombo.
A Folha apurou que a Polícia Federal tem evidências de que boa parte desse dinheiro foi usada para financiar campanhas de políticos.
Entre elas estão e-mails trocados entre alguns diretores do banco, o ex-diretor financeiro Wilson Roberto De Aro e o ex-presidente Rafael Palladino.
Procurado, Rafael Palladino não respondeu até o fechamento desta edição. Wilson De Aro não quis comentar.

 

 

 

Reforço para os bancos

 Celso Ming

Os chefes de Estado da União Europeia, reunidos nesta quarta-feira em Bruxelas, avançaram em decisões que procuram injetar anticorpos no bloco do euro para limitar o contágio e a propagação da crise. Se tiveram ou não sucesso é o que se verá nas próximas semanas.

A Grécia foi considerada caso perdido. Ninguém falou assim, mas, uma vez admitido o calote de 50% a 60% da dívida que a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, impuseram aos bancos credores, pressupõe-se que não há solução pelos outros caminhos antes tentados.


O problema é que nem com esse megacorte a dívida parece sustentável. A Grécia ficará agora anos e anos afastada dos mercados de crédito e terá de sustentar as despesas do setor público somente com o que vier a ser arrecadado. E numa conjuntura de perda de receita, uma vez que a retomada do crescimento não acontecerá tão cedo.

A hemorragia dos bancos subsequente ao enorme calote terá de ser contida por meio da recapitalização e do reforço das provisões. Não ficou claro de onde virão recursos para blindar os bancos, porque o objetivo é empurrá-los a se abastecerem, primeiramente, nos mercados. Enquanto não completarem esse processo que tem prazo para terminar (julho de 2012), não poderão pagar nem dividendos nem bônus por desempenho a seus diretores.

Também não foi explicado por que o volume de dinheiro necessário para essa recapitalização foi reduzido à metade, dos 200 bilhões de euros anteriormente calculados pelo Fundo Monetário Internacional. Talvez se espere que um significativo número de instituições financeiras se desfaça de boa parte dos seus ativos, para não dependerem tanto da captação e dos aportes de fontes oficiais.

De todo modo, ficou definido que os bancos terão um nível de capitalização correspondente a 9% dos seus ativos, ponderados pelo risco. E essa ponderação pelo risco leva a crer que os títulos de dívida da área do euro serão classificados pelo seu valor de mercado. Ou seja, com reconhecimento oficial, acabou o tempo em que todos os títulos de dívida soberana do bloco devessem ser considerados tão bons quanto os da Alemanha.

Fica para ser avaliado até que ponto o corte da dívida grega não encorajará outras reestruturações e, antes disso, se não servirá de precedente para novos endividamentos em escala em outros países.

Assim, um dos focos da reunião do encontro desta quarta foi matar ainda no ovo a crise sistêmica dos bancos. Agora resta saber de onde sairá o capital que não conseguirem levantar nos mercados pela venda de ações novas.

No mais, as enormes pressões políticas sobre o governo da Itália para que apresse suas reformas sugerem que, ao menos informalmente, acaba de ser admitido certo grau de ingerência nos assuntos internos dos países de governança mais fraca. Esse pode ser o embrião de uma unidade fiscal.

A cúpula dos 27 chefes de Estado da União Europeia terminou no início da noite desta quarta-feira. A ela se seguiu o encontro dos 17 da área do euro. O principal assunto da pauta é a forma de aumentar o poder de fogo (alavancagem) do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), criado para dar cobertura a crises de liquidez e, provavelmente, também para socorrer instituições financeiras em perigo.

Acima da previsão. Os diretores do Banco Central bem que se esforçam para ver sinais de moderação nas estatísticas. No entanto, o avanço do crédito está muito longe de se conter entre 15% e 16%, como anunciaram no início do ano. Em 12 meses terminados em setembro, o crédito na economia cresceu 19,6%. No início de 2011, seu estoque no sistema bancário correspondia a 46,4% do PIB. Ao final de setembro, subiu para 48,4% do PIB. Ou seja, continua contribuindo excessivamente para aumentar a demanda e não vem ajudando a controlar a inflação.

 

 

 

Primeiro-ministro grego fará pronunciamento para explicar plano de resgate

De acordo com um comunicado do governo, assim que o líder chegar a Atenas, irá se encontrar com o presidente grego, Karolos Papoulias, para discutir os resultados da cúpula e o segundo pacote de ajuda de 130 bilhões de euros.

27 de outubro de 2011 - O primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, fará nesta quinta-feira um pronunciamento à nação para explicar o acordo fechado ontem à noite em Bruxelas pelos líderes da Eurozona e os bancos, que perdoa 50% da dívida do país.

De acordo com um comunicado do governo, assim que o líder chegar a Atenas, irá se encontrar com o presidente grego, Karolos Papoulias, para discutir os resultados da cúpula e o segundo pacote de ajuda de 130 bilhões de euros.

Em seguida, participará de uma reunião do Conselho de ministros e depois fará um pronunciamento televisionado à nação. O primeiro-ministro também conversará com os parlamentares que até o momento negaram apoio às medidas de austeridade, inclusive políticos de seu próprio partido.

O acordo da cúpula ainda tem que receber sinal verde do Congresso, numa votação que o governo precisa alcançar pelo menos 180 votos, o que obriga Papandreou a buscar apoio na oposição.

As medidas econômicas e a recessão vem causando protestos entre a população. De acordo com os sindicatos, a renda dos gregos caiu 40% nos últimos meses devido a cortes de salário e pensões. A taxa de desemprego chega a 16% e a economia deverá se contrair 5,5% em 2011.

(Redação com agência EFE - www.ultimoinstante.com.br)


 

 

 

 

10 notícias para lidar com os mercados nesta quinta-feira

Acordo europeu anima bolsas no mundo; ata do Copom diz que atividade interna está moderando

 

PIB do Japão crescerá 0,3% neste ano fiscal, estima BOJ

São Paulo – Aqui está o que você precisa saber:

 

1 - Acordo de líderes europeus é composto por cinco elementos. Os elementos são: colocar orçamentos em ordem, procurar uma solução sustentável para a Grécia, aperfeiçoar o resgate do euro, recapitalizar bancos e fortalecer a moeda.

2 - Acordo na Europa anima mercados; Local mira ata do BC. Líderes da zona do euro chegaram a um acordo com credores privados que prevê um corte de 50% em seus títulos da dívida grega.

3 - Acordo na Europa alavanca Bolsas da Ásia; Hong Kong sobe 3%. O plano da União Europeia para resgatar a dívida da Grécia, fechado na madrugada de hoje, teve bom impacto sobre a maioria dos mercados da região. Tóquio sobe 2%.

4 - Ata do Copom: cenário externo acelera moderação da atividade interna. O comitê também informou que "reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza".

5 - Lucro do Santander cai 6,8% no 3º trimestre. O resultado foi de R$ 1,802 bilhão, seguindo o padrão contábil internacional. Os ativos totais somam R$ 414,983 bilhões em setembro, um avanço de 16% ante igual mês de 2010, quando era de R$ 357,631 bilhões, e crescimento de 2% sobre o segundo trimestre de 2011 - de R$ 406,870 bilhões.

6 - Confiança do consumidor brasileiro sobe, mas mostra acomodação. O indicador da Fundação Getúlio Vargas subiu 0,4% sobre setembro, para 115,2 pontos. "Após dois meses em queda, o índice dá sinais de acomodação em nível próximo ao de maio de 2011 (115,4 pontos). Expresso em médias móveis trimestrais, o índice mantém a tendência negativa dos dois meses anteriores", informou a FGV em nota.

7 - PIB do Japão crescerá 0,3% neste ano fiscal, estima BOJ. O banco central japonês apontou ainda que a terceira maior economia do mundo crescerá 2,2% em 2012, abaixo do índice de 2,9% que fora previsto há três meses.

8 - BC aprova operações do Banco do Brasil na China. Uma vez que todas as aprovações tenham sido obtidas, o BB deve se tornar o primeiro banco da América Latina a iniciar operações no país.

9 - Klabin vai montar nova fábrica no Paraná por R$ 6 bi, diz jornal. Unidade produzirá tanto fibra longa quanto fibra curta. A cidade de Ortigueira é a preferida pelo governo paranaense para a construção da fábrica, segundo Valor Econômico.

10 - Após redução do IPCA, analistas admitem acerto do BC. A economista-chefe do Royal Bank of Scotland, Zeina Latif, está entre os que reconhecem que o banco acertou no prognóstico de cortar os juros em um cenário i

 

 

Banco do Japão expande programa de compra de ativos

Brasil Econômico   (redacao@brasileconomico.com.br)

 

O comitê de política monetária do BoJ decidiu, por uma maioria de oito votos a um, elevar o programa de afrouxamento monetário

 

O Banco do Japão (BoJ, central) decidiu nesta quinta-feira (27/10) manter a taxa de juros entre zero e 0,1% ao ano, além de elevar seu programa de estímulo monetário.

Segundo comunicado da entidade, a medida visa conter a valorização do iene, que prejudica as exportações do país, e também combater efeitos da deterioração econômica dos países europeus.

O comitê de política monetária do BoJ decidiu, por uma maioria de oito votos a um, elevar o pacote de estímulo de 50 trilhões para 55 trilhões de ienes (US$ 725 bilhões). Do total, 20 trilhões de ienes correspondem ao programa de compra de ativos.  

Os recursos adicionais - 5 trilhões de ienes - serão direcionados para a compra de títulos governamentais, de acordo com o BoJ.

 

 

Lucro líquido da Totvs cresce 20% no terceiro trimestre

Brasil Econômico   (redacao@brasileconomico.com.br

A companhia do setor de software e gestão empresarial Totvs anunciou um lucro líquido de R$ 39,65 milhões referentes ao terceiro trimestre do ano, uma elevação de 20,3% na comparação com o mesmo intervalo em 2010.

Segundo a empresa, a redução das despesas financeiras, em razão da diminuição da dívida líquida, ajudou na alta do resultado trimestral.

No período, o termômetro de geração operacional de caixa, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), recuou 12,5% e somou R$ 77,15 milhões.

Enquanto as receitas de serviços (+11%) e de manutenção (+18,7%) cresceram, houve queda de 13,2% nas taxas de licenciamento.

No comunicado do balanço, a empresa enfatiza que houve uma "concentração atípica de vendas de licenças no terceiro trimestre de 2010".

A receita líquida alcançou a cifra de R$ 323,88 milhões, ficando 6,8% acima do resultado de R$ 303,20 milhões apurado no ano passado.

 

 

 

Mais uma gota para o copo ficar meio cheio

Por Daniele Camba

Todos os olhos e ouvidos do mercado ontem estavam voltados para a reunião dos líderes da União Europeia. A grande expectativa, ou torcida, era que saíssem desse encontro várias medidas efetivas para o salvamento dos países europeus e os bancos da região. O resultado da reunião não foi assim uma Brastemp como muitos esperavam, mas de qualquer forma o mercado gostou do que viu.

Em terras brasileiras, isso se refletiu no Índice Bovespa, que fechou em alta de 1,52%, aos 57.143 pontos. Entre tudo que o mercado esperava que fosse anunciado, de concreto mesmo só houve a definição das novas exigências de capital para os bancos europeus. Do resto, sobraram sinalizações e faltaram decisões.

Mercado aprova as sinalizações dos governos europeus

Na linha das intenções, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, por exemplo, afirmou que pretende falar hoje com o presidente da China, Hu Jintao, para discutir como o país pode contribuir para o fundo de investimento da zona do euro criado para solucionar a crise.

Agora, por que os investidores se contentaram apenas com essas sinalizações? Para os analistas ouvidos pelo Valor, porque isso é mais uma gota para o copo sobre a solução da crise europeia se tornar meio cheio e não meio vazio, como vem sendo nos últimos meses, deteriorando o cenário internacional.

Na visão do diretor de investimentos da Fundação Cesp, Jorge Simino, para que o mercado se recupere, não é preciso haver uma solução da crise europeia. O importante é ficar claro para os investidores de que mudou a percepção dos governos europeus do senso de urgência de medidas efetivas. E é exatamente o que se viu na reunião de ontem. "Os governos mostraram que deixaram de ser lenientes e que agora estão realmente preocupados em achar uma saída para a crise, por mais lenta que ela seja", diz.

 

Para o diretor da Fundação Cesp, a cada novo passo que os governos europeus dão em direção à resolução da crise, ou no mínimo a tentativa de que isso aconteça, os mercados sobem mais um tanto.

Mas alto lá aqueles que acreditam que a alta do Ibovespa não tem limite, no caso de a crise europeia se definir da noite para o dia, o que é pouco provável, inclusive. Tudo tem seu preço, lembra Simino. O P/L da Bovespa (indicador de preço sobre lucro) está em 9 vezes, sendo que a média dos últimos cinco anos é de 12 vezes. Como o mundo hoje é mais arriscado, os múltiplos merecem um desconto, o que para Simino significa um P/L em torno de 10 vezes.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail daniele.camba@valor.com.br

 

 

Klabin quer montar nova fábrica no PR

Por Marli Lima e Stella Fontes | De Curitiba e São Paulo

Os planos de construção de uma nova fábrica de celulose da Klabin, que foram anunciados em 2009, começam a ganhar contornos concretos. A maior fabricante brasileira de papéis para embalagens já avançou nos estudos de engenharia e os investimentos na nova unidade poderão chegar a R$ 6 bilhões nos próximos anos, segundo informações do governo paranaense. A fábrica será voltada tanto à produção de fibra longa, que é usada na fabricação de embalagens e de papelão ondulado, quanto de fibra curta, matéria-prima utilizada para papéis de imprimir e escrever e absorvente (tissue).

De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, o fato de a companhia ter iniciado os estudos de engenharia e contar com madeira já existente torna possível o início das operações em 2015. Ontem, o jornal paranaense "Gazeta do Povo" informou que a Klabin já negocia com o Estado e municípios da região de Campos Gerais a implantação da fábrica, com o objetivo de iniciar atividades a partir de 2015. Citando fontes próximas às negociações, o jornal informou ainda que o investimento no projeto pode chegar a R$ 5,8 bilhões.

Em entrevista ao Valor, o secretário de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul do Paraná, Ricardo Barros, disse que o investimento da Klabin está bem encaminhado. Segundo ele, a direção da empresa teve um encontro recentemente com o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) para tratar do assunto. "Mas não há fato novo", comentou. "Como as florestas da empresa estão aqui no Paraná, o investimento deve ser no Estado."

Segundo ele, o projeto está orçado em cerca de R$ 6 bilhões. Hoje, a Klabin tem um complexo fabril em Telêmaco Borba, mas há um esforço por parte do governo para que a nova unidade fique no município vizinho de Ortigueira, que tem 23 mil habitantes e baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Outra que está no páreo é a cidade de Tibagi. Procurada, a Klabin não confirmou as informações.

De acordo com fontes, a nova unidade deverá produzir celulose a partir de pinus (fibra longa) durante alguns meses do ano, ao ritmo de 1,3 milhão de toneladas anuais, e dedicar-se à produção de celulose de eucalipto no período restante, com capacidade para 1,5 milhão de toneladas anuais. Enquanto toda a fibra longa será absorvida pela própria companhia, que pretende ampliar sua produção de papel-cartão, uma parte da fibra curta será exportada.

A Klabin tornou pública em 2009 a intenção de construir uma nova fábrica de celulose no Paraná, com capacidade produtiva de até 1,5 milhão de toneladas por ano. Com o projeto, a companhia será capaz de elevar a até 3,4 milhões de toneladas anuais sua produção da matéria-prima. Ao mesmo tempo, a Klabin informou que já avaliava a instalação de uma nova máquina de cartão, para produzir até 500 mil toneladas por ano, elevando a 2,4 milhões de toneladas anuais a capacidade total de papéis e embalagens de papéis. Os dois projetos, contudo, não estavam vinculados.

O mais recente grande investimento da empresa foi realizado justamente na unidade Monte Alegre, em Telêmaco Borba, e elevou a fábrica paranaense ao grupo das 10 maiores do mundo à época. Concluído em 2008, o projeto demandou R$ 2,2 bilhões em investimentos.

 

 

 

Desemprego no Brasil fica em 6% em setembro, diz IBGE

 

Em relação ao mesmo período de 2010, o índice também apresentou estabilidade, ficando em 6,2%.

27 de outubro de 2011 - A taxa de desemprego média no Brasil registrou  6% em setembro, mesma variação registrada em agosto. Em relação ao mesmo período de 2010, o índice também apresentou estabilidade, ficando em 6,2%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esta foi a taxa mais baixa para o mês de setembro desde o início da série, em março de 2002.

A população ocupada (22,7 milhões) ficou estável em relação a agosto e ao mesmo período do ano passado.

Já a população desocupada (1,5 milhão de pessoas) no mês em questão também ficou estável em relação a agosto deste ano, mas na comparação com setembro do ano anterior, registrou aumento de 1,7% (mais 369 mil pessoas na condição).

De acordo com o levantamento, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11 milhões) não alterou comparado a agosto. Já na comparação anual, a estimativa registrou elevação (6,7%), um adicional de 691 mil postos de trabalho na condição assinalada.

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 1.607,60) caiu 1,8% na comparação mensal e manteve-se estável em relação a 2010.

A massa de rendimento médio real habitual (R$ 36,7 bilhões) teve queda de 1,9% na comparação mensal e cresceu 1,4% em relação a setembro do ano passado. A massa de rendimento médio real efetivo dos ocupados caiu 1,5% no mês e subiu 1,4% no ano.

(Redação - www.ultimoinstante.com.br)


 

 

 

 

HSBC coloca financeira Losango à venda, diz jornal

Segundo O Estado de S. Paulo, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Itaú Unibanco estão interessados na compra

 

Losango: líder no crédito direto ao consumidor, com uma carteira de aproximadamente 3 bilhões de reais em financiamento

São Paulo – O HSBC está negociando a venda da financeira Losango, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O processo está sendo conduzido pelo banco de investimento JP Morgan há 40 dias e já chamou a atenção de Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, que já avaliaram ou estão estudando a situação da financeira.

Oficialmente, Bradesco, Santander, BB e Itaú Unibanco não comentam o assunto. Procurados pela reportagem, o HSBC afirmou que "não comenta rumores" e o JP Morgan não respondeu. “Estamos todos olhando, alguns com mais interesse, outros com menos”, afirmou o vice-presidente de um desses bancos ao jornal. “Olhamos, mas ainda não sabemos o que vamos fazer”, disse o vice-presidente de outro banco.

Com 21% do mercado, a Losango é líder no crédito direto ao consumidor, com uma carteira de aproximadamente 3 bilhões de reais em financiamento. A empresa também é forte nos cartões de lojas, por meio de parcerias com cerca de 20 grandes redes varejistas, como a Máquina de Vendas - além de 21.000 pequenos lojistas de todo país.

Apesar dos bons números, o HSBC decidiu colocar a financeira à venda por estar fora de sua estratégia. O sexto maior banco do país quer abandonar o varejo popular e focar na briga pela conta de empresas e pelo cliente de alta renda, sua maior especialidade. Segundo a reportagem, o HSBC já tinha colocado à venda uma pequena carteira de financiamento de carros para pessoas que não são correntistas, que até agora ninguém quis comprar.

A venda faz parte da estratégia do banco de abandonar países onde não tem escala para brigar pela liderança de mercado – o que acontece com o varejo. Além disso, a venda desses ativos tem a intenção de cortar custos e melhorar a lucratividade. O presidente mundial do HSBC, Stuart Gulliver, no cargo desde janeiro, pretende fazer uma economia de 3,5 bilhões de dólares.