Seguindo o pessimismo do cenário macroeconômico global, o Ibovespa encerrou o dia em forte queda de 7,96% aos 48.731 pontos, com mínima aos 47.793 pontos, máxima aos 52.938 pontos, gerando um giro financeiro de R$ 9,29 bilhões. Durante a tarde, o índice atingiu uma desvalorização de 9,73%, quase atingindo o circuit break. Nenhuma ação do Ibovespa resistiu à queda do dia e todas fecharam com desvalorização. Na agenda doméstica, a divulgação do IGP-DI da FGV apresentou uma deflação de 0,05% sobre o mês de julho, ligeiramente acima das expectativas do mercado. Já o IPC-S, medido pela mesma instituição, apresentou uma queda de 0,01%, superando as expectativas do mercado.
As principais blue chips (Petrobrás e Vale) acompanharam a queda dos preços das commodities internacionais. As ações da Petrobrás ON e PN encerraram o dia com queda de 7,19% e 7,58%, respectivamente. Já os papéis da Vale ON e PN fecharam o dia com desvalorização de 9,27% e 8,68%. Sentimento de aversão ao risco, e pânico entre os investidores foi o que prevaleceu hoje nos mercados.
Os investidores estrangeiros ingressaram no dia 04 de agosto, quinta-feira, R$ 290,25 milhões na Bovespa, quando o índice fechou em queda de 5,72%. No mês de agosto, o saldo acumulado de recursos estrangeiros está positivo em R$ 423,72 milhões. No acumulado do ano, os investimentos estrangeiros estão positivos em R$ 712,57 milhões. Já os investidores Pessoa Física retiraram, no dia 04 de agosto, R$ 189,95 milhões na Bovespa. No mês de agosto, o saldo está negativo em R$ 124,48 milhões. No acumulado do ano, o saldo de pessoa física está negativo em R$ 4,732 bilhões.
Mercado local deverá seguir os mercados internacionais, que operam na expectativa de que alguma medida de estímulo seja anunciada pelo presidente do FED, Ben Bernanke, hoje que seja capaz de aliviar os mercados. Localmente os investidores também ficarão de olho nos dados da balança comercial chinesa a ser divulgada hoje à noite, e também reagirão aos dados sobre inflação e produção industrial que foram divulgados por lá. Porém o que vai mesmo mandar nos mercados hoje é o sentimento sobre a economia norte-americana, e se ocorrerá alguma novidade por parte do FED.
ALL – A companhia divulgou hoje (09/08), antes do pregão, seus números referentes ao 2° trimestre de 2011, que, em linhas gerais vieram acima das expectativas do mercado. A empresa registrou uma receita líquida de R$ 931,7 milhões, apresentando um crescimento de 12,16% em relação ao mesmo período do ano passado, uma forte alta de 40,91% sobre o valor divulgado no trimestre anterior, superando as estimativas do mercado, que totalizavam um montante de R$ 900,2 milhões no período. Tal crescimento foi impactado pelo aumento do volume total transportado, no qual apresentou uma expansão de 9,6% frente ao segundo trimestre de 2010, refletindo em um maior faturamento das operações das unidades do Brasil e Argentina, que apresentaram um crescimento de 17% e 4%, respectivamente, pela comparação anual. Já pela comparação trimestral, o crescimento de 49,3% da receita proveniente do transporte das commodities agrícolas afetou positivamente a receita líquida da ALL no período, refletindo o período de fortes safras dos grãos e ganho de market-share nos portos que a empresa atua. Em relação ao EBITDA, a companhia alcançou R$ 489,0 milhões, demonstrando um crescimento de 12,16% em relação ao 2T10, 62,08% maior que o trimestre anterior, porém frustrando levemente as expectativas do mercado. A expansão do yield médio no Brasil decorrente da estabilidade do preço do diesel no 2T11 e do repasse da inflação nos preços dos serviços prestados, juntamente com o crescimento do volume transportado no país, impulsionaram o EBITDA da companhia frente ao 2T10. Sobre o lucro líquido divulgado, a ALL alcançou R$ 185,6 milhões no 2T11, valor 19,8% maior que o divulgado no 2T10 e 30 vezes superior ao alcançado no trimestre anterior, superando fortemente as expectativas do mercado. Em decorrência dos fatores já citados acima, o lucro líquido da companhia foi impactado pelo forte aumento do faturamento decorridos da "ALL Operações Ferroviárias", que registraram uma alta de 19% no período. Já pela comparação trimestral, o resultado alcançado pela empresa refletiu a melhora do cenário no 2T11 em relação ao 1T11, no qual foi marcado pelo intenso período de chuvas que resultou no bloqueio de ferrovias e estradas ao porto de Paranaguá, redução do transporte de minério de ferro na Argentina decorrentes do baixo nível do rio Paraguai e o período de entressafra agrícola. Acreditamos em um impacto positivo para os papéis da ALL, porém aguardaremos o conference call agendado para o dia 10/08 para obtermos maiores detalhes.
Banco do Brasil – A companhia divulgou hoje (09/08) antes do pregão, seus números referentes ao 2° trimestre de 2011, que, em linhas gerais vieram acima das expectativas do mercado. A receita líquida de intermediação financeira foi de R$ 24,48 bilhões, crescimento de 25,48% em relação ao mesmo período do ano passado, alta de 7,24% sobre o valor divulgado no trimestre anterior. Já as despesas com PDD ficaram em R$ 3,0 Bilhões, aumento de 6,13% na comparação anual e 15,90% superior ao trimestre anterior. Tal crescimento foi impactado pelo aumento dos saldos de provisão das carteiras de níveis de risco D a H que necessitaram de um maior volume financeiro para o PDD. Já o lucro líquido apresentou uma expansão de 38,81% sobre o montante informado no 2T10, e 10,5% acima do 1T11, alcançando R$ 3,2 Bilhões no segundo trimestre de 2011. O aumento da carteira de crédito em 20,2% e a expansão das receitas advindas de operações de crédito afetaram positivamente no resultado da instituição no período. O destaque positivo ficou para a redução do nível de inadimplência superior de 90 dias, que atingiu 2,0% no trimestre, demonstrando uma redução de 0,7 p.p sobre o mesmo período de 2010 e 0,1 p.p pela comparação trimestral. Além disso, tanto os recursos sob gestão quanto a carteira de crédito do banco apresentaram expansão anual. Do ponto de vista dos ativos totais, o crescimento dos títulos e valores imobiliários em 16,9% sobre o 2T10 e 5,6% em relação ao trimestre passado, influenciaram positivamente o montante financeiro sob gestão pela instituição. Já o aumento do crédito destinado aos financiamentos de veículos e empréstimos impulsionaram o crescimento de 20,2% e 6,0% da carteira de crédito do banco. Somado a isso, houve uma ligeira queda de 0,3 p.p no Índice de Basiléia Tier II pela comparação trimestral, registrando um total de 14,4 no 2T11. O destaque negativo ficou para a redução do guidance da instituição para o resto de 2011, baixando o intervalo de crescimento da carteira de crédito para o país de 17% a 20% para o intervalo de 15% a 18%, principalmente motivado pelo menor volume demandado de crédito a pessoas físicas e jurídicas decorrentes da elevação da Selic e a queda da atividade industrial nos últimos trimestres.
Acreditamos em um impacto positivo para as ações do BB, uma vez que o banco apresentou sólidos resultados e expansão da carteira de crédito, porém aguardaremos maiores detalhes do conference call marcado para o dia 10/08 para avaliarmos maiores detalhes.
Eletrobrás – Conforme a notícia veiculada ao jornal "Valor Econômico", pelos próximos 2 anos, a Eletrobrás irá investir R$ 7 bilhões na atividade de transmissão, da qual detém 60% das concessões do país, para criar novas linhas e reforçar o complexo já existente. Segundo o presidente da estatal, José Costa de Carvalho Neto, o objetivo é evitar blecautes como os ocorridos em 2009 e no início de 2011. A notícia é marginalmente positiva, contudo, aguardamos maiores detalhes sobre o investimento.
Eletrobrás (2) – De acordo com o jornal "Valor Econômico", a Eletrobrás pretende adquirir 20% do capital da EDP, estatal elétrica portuguesa que é o terceiro maior produtor mundial de energia eólica e que possui negócios espalhados por Portugal, Espanha, França, Romênia, Bélgica,Polônia,Estados Unidos e Brasil. Segundo a notícia, o governo português decidiu que irá vender 20% do capital e permanecer com apenas 5%. O maior interesse da Eletrobrás é a atividade da EDP no Brasil, composta por duas distribuidoras nos Estados de São Paulo (Bandeirante) e Espírito Santo (Escelsa), além de um parque gerador de 2,1 mil MW, que totalizam um quarto dos resultados da companhia portuguesa. Entretanto, a estatal brasileira deve sofrer a concorrência de outros interessados, como o grupo espanhol EDF, a alemã EoN e um grupo estatal chinês. A notícia é meramente informativa, não devendo impactar sobre o preço dos ativos.
Marcopolo – A companhia divulgou ontem, após o pregão, seus números referentes ao 2° trimestre de 2011, que basicamente, vieram em linha com as expectativas do mercado. A receita líquida foi de R$ 770,27 milhões, crescimento de 5,85% em relação ao mesmo período do ano passado, 1,18% acima do trimestre anterior e 0,03% abaixo das expectativas do mercado que totalizavam R$ 770,50 milhões. Este aumento na receita ocorreu devido ao crescimento de 2,8% nas unidades vendidas na comparação anual e pela melhora do mix de produtos, com maior participação dos modelos rodoviários na receita. Já o EBITDA ficou em R$ 97,30 milhões, 2,80% abaixo em relação ao mesmo período do ano passado, 1,22% inferior na comparação trimestral e 0,79% abaixo das expectativas do mercado, que totalizavam R$ 98,08 milhões. A redução do EBITDA na comparação anual e trimestral se deve a variação cambial sobre as exportações, que representaram 30,4% da receita líquida operacional. E o lucro líquido divulgado foi de R$ 76,31 milhões, 3,52% abaixo do ano passado, 0,74% acima do ultimo trimestre, superando as expectativas em 4,72%, que totalizavam R$ 72,88 milhões. A companhia ainda destacou que revisou as suas expectativas para 2011, que passam a ser atingir uma receita líquida consolidada de R$ 3,25 bilhões e produzir 30.200 ônibus nas unidades do Brasil e exterior. Em linhas gerais, os números apresentados vieram em linha com as expectativas do mercado, não devendo impactar sobre os ativos da companhia. Aguardaremos o conference call, a ser realizado hoje para maiores detalhes.
Mills – A prestadora de serviços de engenharia para a construção pesada declarou em seu resultado trimestral (onde reportou um lucro líquido de R$ 22,2 milhões, crescimento de 1,8% na comparação trimestral) que a demanda do setor foi "fraca" no período – apesar do início das obras referentes à Copa do Mundo e às linhas de trens em São Paulo e no Rio de Janeiro. A empresa destaca que "dado o cronograma previsto das obras já licitadas, iniciadas e contratadas, esperamos que no segundo trimestre de 2011 haja uma retomada forte". A notícia é de cunho informativo, não devendo ter maiores impactos sobre os ativos.
Petrobrás – De acordo com notícia vinculada a Reuters, a Petrobras pode adiar a venda de participações que possui em empresas, devido ao momento atual do mercado de ações. Ainda de acordo com a agência, a companhia não prevê alterações no montante total do seu plano de investimentos anunciado em julho, de US$ 224,7 bilhões, entre 2011 e 2015. A notícia é marginalmente negativa para as ações da companhia.
São Martinho – De acordo com a notícia vinculada ao jornal Valor Econômico, a São Martinho, São João e Santa Cruz desfizeram a sociedade Allicom, consórcio de comercialização de açúcar e etanol formada pelas 3 empresas em 2008, onde, juntas, somavam mais de 25 milhões de toneladas de cana por safra. No entanto, a São Martinho e a Santa Cruz seguem juntas. De acordo com o presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, o que ocorreu é que ao longo desses 3 anos de parceria, a São Martinho e a Santa Cruz passaram a ter um perfil mais alcooleiro, enquanto a São João passou a ter um perfil mais açucareiro e com foco no mercado interno. Com isso, as sinergias entre as empresas passaram a ser limitada, não fazendo mais sentido a parceria. A notícia é de cunho informativo, não devendo impactar sobre o preço dos ativos.
Setor de Energia – Segundo o jornal "Valor Econômico", após receber cadastro de 582 interessados, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou 321 empreendimentos para os leilões "A-3" e "Reserva" dos dias 17 e 18, somando uma capacidade instalada de 14.083 megawatts (MW). No total, as usinas eólicas totalizam 240 parques autorizados com 6.052 MW, as termelétricas de biomassa somam 43 empreendimentos com 2.750 MW e as pequenas centrais hidrelétricas, 27 projetos com 443 MW. Já as termelétricas a gás correspondem a 10 unidades com 4.388 MW. Existe ainda um projeto hidrelétrico (expansão de Jirau) com 450 MW. A notícia é meramente informativa, não devendo impactar sobre os preços dos ativos do setor.
Fonte: Um Investimentos
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