SÃO PAULO - O mercado deve aguardar por mais uma sessão de grande volatilidade e queda no Ibovespa para esta terça-feira (9), na visão do analista da Amaril Flanklin, Eduardo Machado. Para ele, o cenário baixista não deve se esgotar no curto prazo, diante da preocupação em relação à sustentação do crescimento da economia mundial para os próximos anos.
"O Ibovespa já vem em um viés negativo desde o início do ano e apostamos que esse cenário vai persisitir por um bom tempo, pois não vemos uma perspectivas de resolução de problemas para, posteriormente, focarmos em um retorno de crescimento econômico", sinaliza.
Na última sessão, o índice despencou 8,08% e fechou na sua mínima desde abril de 2009, chegando próximo da parada técinica. Para o analista, apesar de o corte do rating do país de AAA para AA+ ter trazido um "viés psicológico" para as quedas, o maior motivador para o cenário baixista, é a perspectiva negativa para o futuro. "O rebaixamento já era dado como certo, mas o crescimento econômico daqui para frente é o que mais preocupa", afirma.
Risco de recessão
Machado explica que diferentemente de 2008, quando houve a crise de crédito no setor imobiliário nos EUA e imediatamento aconteceu a intervenção do governo norte-americano - que colocou dinheiro para poder manter em funcionamento o mercado -, os governos da Zona do Euro e Estados Unidos enfrentam problemas fiscais sérios atualmente. Com isso, ao contrário de fomentar a atividade econômica, terão de adequar as contas públicas para poder pagar as dividas.
"Enquanto em 2008, vimos quedas acentuadas nos ativos e uma recuperação bem rápida devido à intervenção dos governos, de certa forma rápida, agora eles não estão em condições de tirar dinheiro para fomentar a atividade economia. Esse é o fator preponderante que pode fazer com que realmente entremos em um período recessivo", explica.
Tendência de queda
De acordo com o analista, a última sessão fechou com um volume financeiro intenso, com giro de aproximante R$ 9 bilhões. Com referência na análise técnica, ele explica que o fato de o volume financeiro continuar crescendo, tende a reforçar a tendência atual de queda.
"Se observarmos neste pregão o volume caindo acentuadamente, com mercado também em queda, podemos ter uma possibilidade de recuperação. Agora, se o volume subir e o mercado cair, tende a reforçar a perspectiva de queda. É esse cenário que visualizamos para esta sessão", analisa.
Agenda econômica e balanços corporativos
Nesta sessão, o indicador econômico mais aguardado é a ata do Fomc (Former Open Market Committee), que trará importantes indicadores sobre o desempenho da economia nos Estados Unidos. Apesar disso, o dado não deverá ter grandes influências no índice, diante da preocupação maior com a recuperação da economia mundial.
Outros indicadores, como custo unitário do trabalho e produtividade, nos Estados Unidos, balança comercial, na Alemanha, e IPC (Índice de Preço ao Consumidor), por aqui, também devem ficar em segundo plano na sessão. No mesmo sentido, os balanços corporativos previstos para esta terça não tevem ter forças para interferir no desempenho do índice.
"O mercado já trabalha com suas próprias projeções e quando não há nada de novo de forma política, não há interferência. É semelhante ao que observamos na última segunda-feira (8), quando o discurso do presidente Barack Obama, dizendo que os Estados Unidos sempre serão AAA, não teve tanto influência. Nessas situações, o mercado não leva muito em conta esse tipo de discurso político", completa.
Fonte: InfoMoney
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