SÃO PAULO – Os principais índices norte-americanos fecharam com desvalorizações superiores a 5% nesta segunda-feira (8), com o S&P 500 e o Dow Jones registrando suas piores quedas desde dezembro de 2008. Os investidores demonstraram apreensão sobre o desempenho da economia mundial, em meio ao clima de cautela acerca de uma nova recessão nos Estados Unidos, o qual foi agravado após o corte do rating do país de AAA para AA+ pela Standard & Poor's. Em complemento, a S&P rebaixou o rating de algumas entidades governamentais, entre elas a Fannie Mae, Freddie Mac e Federal Home Loan Bank, o que ajudou a pressionar ainda mais os mercados por lá.
Com isso, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, fechou em forte baixa de 6,90% a 2.358 pontos, acumulando no ano forte baixa de 11,13%. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, encerrou o pregão em forte desvalorização de 6,66% atingindo 1.119 pontos e caindo 10,99% no ano, enquanto o Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, apresentou queda de 5,54% chegando a 10.811 pontos e acumulando no ano forte baixa de 6,62%.
Bancos lideram perdas pelo Dow Jones
As ações do Bank of America Merril Lynch lideraram as perdas pelo índice Dow Jones ao fecharem em queda de 20,3%. A AIG anunciou nesta data que está planejando processar o banco para recuperar mais de US$ 10 bilhões pelas perdas de US$ 28 bilhões em investimentos em títulos de hipotecas, durante crise de 2008. O JP Morgan também ficou entre as principais quedas pelo índice, registrando desvalorização de 9,10% na sessão.
No mesmo sentido, outros bancos recuaram pressionados pelo cenário econômico mundial, entre eles o Citigroup (-16,42%) e Wells Fargo (-9,04%).
Petrolíferas também recuam
Os preços do petróleo caíram mais de 6% tanto em Nova York quanto em Londres nesta segunda-feira, contribuindo para as fortes perdas das companhias ligadas ao setor, entre elas a Chevron (-7,54%), Exxon Mobil (-6,19%), BP (-6,69%) e Marathon (-10,53%).
Outros destaques corporativos
As ações do McDonald's recuaram 3,49%, mesmo aós a cadeia de fast-food anunciar aumento de 5,1% em suas vendas. No mesmo sentido, as ações da Verizon caíram 5,51% após cerca de 45 mil funcionários terem entrado em greve neste final de semana devido a disputas contratuais.
Enquanto isso, os papéis da Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, registraram perdas de 5,87%. A seguradora fez uma oferta de US$ 3,24 bilhões para a compra da Transatlatic Holdings, superando as quantias ofertadas por seus rivais Allied World Assurance Company e Validus. Ademais, a S&P revisou a perspectiva do rating para a companhia de estável para negativa. O anúnciou veio depois que o Warren Buffett afirmou que a redução do rating dos EUA pela S&P "não faz sentido".
Desempenho da economia preocupa
Nem mesmo a fala do presidente Barack Obama de que os Estados Unidos sempre serão "um país AAA" aliviou o clima de cautela instaurado nos mercados em Wall Street na sessão.
Na última sexta-feira, a S&P anunciou a decisão do corte no rating da dívida dos EUA de AAA para AA+ com a justificativa do incremento do déficit fiscal do país, bem como pelo risco político para se adotar novas medidas de controle de gastos, uma vez que o Congresso mostrou dificuldade de se chegar a um acordo quanto ao aumento do teto da dívida do país.
Em complemento ao clima apreensivo do mercado, a Moody's afirmou nesta segunda que a manutenção do rating AAA dos EUA dependerá de como o déficit do orçamento será trabalhado no futuro.
Além disso, a Europa também atua como uma fonte de preocupação para os investidores, os quais temem que novos rebaixamentos possam ocorrer no velho continente por parte da S&P. Por lá, o BCE (Banco Central Europeu) está atuando no mercado secundário e comprando títulos da dívida de países como Espanha e Itália.
Fonte: InfoMoney
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